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Edgardo Pacheco

E que tal trocarmos de marca nas Festas?

O mercado lança produtos todos os dias, mas há gente incapaz de trocar de marca.

Edgardo Pacheco 15 de Dezembro de 2017 às 00:30
Já se sabe que Natal e excessos fazem parte de uma mesma equação. É a vida. Bem pode a associação dos nutricionistas espalhar os seus técnicos pelas televisões, rádios e jornais (e ainda bem), que isso pouco adianta. Talvez em janeiro possam ser mais eficazes na educação dos portugueses, que, na verdade, bem precisam.

E se vamos mesmo pecar por estes dias, juntemos ao menos a gula à infidelidade. A infidelidade à mesa, note-se. É que mantemos tanta fidelidade a determinadas marcas e produtos que somos capazes de passar parte da vida a beber vinhos de duas regiões (quando temos umas 20), a comprar azeites da mesma marca que a nossa mãe usava ou abrir latas de um conserveira do tempo da nossa avó.

Não gostaria de me repetir, mas conheço gente (regra geral homens) que é mais fiel à sua marca de whisky do que à sua mulher ou namorada. E quando penso nisso fico meio angustiado. Que diabo, com tanta oferta que há no mercado, por que razão não se arrisca?

Ainda por cima, na maioria dos casos arriscar significa desembolsar o mesmo dinheiro que damos pela nossa marca preferida (o capitalismo dá-nos sempre muitas soluções). E dando-se o caso de não gostarmos do novo vinho, azeite, whisky, chocolate, chá ou afins, podemos sempre regressar à marca fiel.

Permitam-me o desabafo: é muito triste auto limitarmo-nos a este ponto. Enquanto consumidores esclarecidos, só treinamos o nosso gosto com a prova de novos produtos. Caso contrário não passamos de miúdos que, perante um sabor novo que nunca lhes passou pela boca, dizem logo que não gostam.

De maneira que, durante as festas, vamos lá ser infiéis numa ou noutra gulodice.
Natal economia negócios e finanças bens de consumo questões sociais
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