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Edgardo Pacheco

Garrafas bonitas, ligue para Itália

Como as vidreiras nacionais recusam encomendas pequenas, as empresas compram em Itália.

Edgardo Pacheco 29 de Julho de 2016 às 01:45
Toda a gente sabe que até no setor agroindustrial o design é um trunfo. No mundo dos vinhos, dos azeites, das compotas, das cervejas e por aí fora, o design do produto conta e muito. Não é que seja mais importante do que o conteúdo das embalagens, mas um frasco ou uma garrafa bonitos são meio caminho andado para captar a atenção dos consumidores quando passam por prateleiras carregadas com centenas de garrafas.

Agora, quem parece estar pouco interessado na matéria é a nossa indústria vidreira, a tal que tem justa fama de ser muito boa em termos de qualidade produtiva.

Pasmo quando, perante garrafas de vinho, azeite ou cerveja artesanal de empresas portuguesas, fico a saber que as mesmas, por sinal lindíssimas, foram feitas em Itália.

De início até pensei que era presunção dos produtores que queriam pura e simplesmente valorizar a sua marca com vasilhame ‘made in Italy’, mas não. Nada disso. Conheço até gente das cervejas que tem vergonha de mencionar a origem das garrafas. Sucede é que quando se dirigem às vidreiras nacionais a resposta é sempre a mesma: "Desculpem lá, mas para quantidades tão pequenas não nos compensa criar um molde novo."

Há produtores que percebem a questão técnica e revelam interesse em pagar algo mais pelo risco, mas do lado do fornecedor, nada. Não fazem e pronto.

E a pergunta é: como é que se passa em Itália? Responde-me um produtor de cerveja artesanal: "É simples, eu digo como quero a garrafa (original, claro), eles enviam o orçamento e discute-se o negócio. Para cinco mil, 10 mil ou 100 mil garrafas. Os preços podem ser mais elevados, mas nunca me recusaram um orçamento." Às vezes a globalização tem coisas boas.
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