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Edgardo Pacheco

O jardim público em modo de lixeira

A lateral da Fonte Luminosa era uma lixeira de garrafas com o mijo a ferver ao sol.

Edgardo Pacheco 11 de Agosto de 2017 às 00:30
Já houve um tempo em que os portugueses fugiam dos jardins a sete pés. De repente, passou-se, como de costume, do oito ao oitenta.

Em Lisboa, a moda do jardim como ‘cervejódromo’ veio para ficar. A coisa começou no jardim do Arco do Cego, estendendo-se para o jardim lateral da sede da Caixa Geral de Depósitos, tudo porque, nas imediações, dois cafés vendem cerveja com 50% de desconto.

Mas como a malta gosta de variar, parece que o próximo poiso é o jardim da Alameda Afonso Henriques, onde começou a moda dos piqueniques noturnos. E como do piquenique à rave vai um passo, na sexta-feira passada mais de 100 cavalheiros estrangeiros de diferentes nacionalidades ocuparam uma lateral da Fonte Luminosa e transformaram a escadaria num misto de discoteca e estrumeira.

Seguindo as boas práticas do botellón, era um tal de emborcar litradas de cerveja chocalhada com outras variantes de álcool, abrir pacotes de batatas fritas e, claro, mijar à vontade onde calhava - no cimo da escadaria, no canteiro das buganvílias e, quando o tino desapareceu mesmo, no próprio lago da Fonte Luminosa. Tudo numa grande alegria, tudo muito giro, tudo muito moderno, que, como se sabe, Lisboa é o máximo.

No dia seguinte, quem quisesse subir a escadaria teria de fazê-lo aos ziguezagues para se desviar da lixeira espalhada pelos degraus, sendo que, a meio do percurso, desistia, tal era o fedor a mijo que vinha de cima.
Nessa mesma sexta-feira, ao final da tarde, vi a Polícia Municipal mandar calar (e bem) quatro idiotas de um ramo evangélico que não captei pregar a palavra do senhor Jesus Salvador.

Já quanto na rave, não vi a presença dos senhores agentes. Curioso, não?
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