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Edgardo Pacheco

Um vaso em Lisboa custa 160 €

O Estado gosta da iniciativa privada porque isso permite-lhe sacar muita massa.

Edgardo Pacheco 6 de Outubro de 2017 às 00:30
Sabemos que quem governa é ardiloso a sacar dinheiro aos contribuintes e que quem é governado passa o tempo a driblar a máquina fiscal. É a vida. Mas duas histórias recentes deixaram-nos com o queixo junto ao peito.

Estávamos de conversa com um comerciante num mercado municipal de Lisboa quando se aproximou alguém a fazer perguntas. Visivelmente mal humorado, o comerciante lá desabafou connosco que o tal funcionário da junta de freguesia pretendia cobrar 70 € pelo facto de a sua empresa ter um funcionário novo à experiência. Aparvalhados, perguntámos se tal era legal. Que sim. Que por cada funcionário que um comerciante do mercado contrata há que pagar à Junta 70 €. O comerciante paga renda, uma panóplia de despesas logísticas, todos os impostos inerentes à sua atividade (IRC, IRS e Segurança Social) e, ainda, esta taxa por cada funcionário.

Ora, vai um tipo pela rua a pensar no assunto em direção a uma nova loja de produtos agrícolas e dá de caras com o jovem empresário revoltado com o facto de um funcionário de outra junta de freguesia ter acabado de passar pelo local e registado que tudo estava em conformidade com a lei, com exceção de um vaso com uma planta entre a entrada da porta e o passeio. Quando o empresário perguntou, ingenuamente, se o problema era uma questão de segurança pública, o tal fiscal esclareceu que não era esse o caso. O vaso poderia estar lá desde que – e tudo isto é legal - a Junta recebesse 160 €.

De maneira que, caros empreendedores ligados a esse mundo maravilhoso do turismo que a CML tanto abençoa, antes de se meterem num negócio certifiquem-se do apetite fiscal voraz da câmara e das juntas de freguesia.
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