Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Fernando Calado Rodrigues

O início do Sínodo

Não se deve esperar que a Igreja reescreva a doutrina que consolidou em milénios.

Fernando Calado Rodrigues 9 de Outubro de 2015 às 00:30
Os principais responsáveis pela condução dos trabalhos do Sínodo dos Bispos procuraram baixar as expectativas em relação aos resultados dessa reunião magna do episcopado mundial, que decorre no Vaticano desde o passado domingo até ao dia 25 deste mês.

No início dos trabalhos, o cardeal Peter Erdö, relator-geral do Sínodo, sublinhou o valor da "indissolubilidade do matrimónio proposta pelo próprio Jesus Cristo", pelo que vê com dificuldade o acesso dos divorciados recasados aos sacramentos.

Contudo, essa não é a única questão que será debatida, mas muitas outras, organizadas em três grandes áreas temáticas: a escuta dos desafios sobre a família; o discernimento da vocação familiar; a missão da família hoje.

São estes os três capítulos do ‘Instrumentum Laboris’ que resultou da reflexão do último Sínodo e que constituem o ponto de partida do que agora se iniciou.
"Se viestes a Roma com a ideia de uma mudança espetacular da doutrina, regressareis desiludidos", disse aos jornalistas no final do primeiro dia o responsável pela condução dos trabalhos, cardeal Vingt-Trois. Contudo, "este Sínodo não se reúne para não dizer nada", afirmou na mesma conferência de imprensa o secretário especial do Sínodo, o arcebispo Bruno Forte.

Na abertura dos trabalhos do Sínodo, o papa Francisco colocou as balizas para a reflexão, não deixando de desafiar os padres sinodais: "Recordo que o Sínodo não é um congresso, ou um ‘parlatório’, não é um parlamento ou um senado, onde se procura o consenso".

Para o papa, este deve ser um espaço em que a Igreja procura "ler a realidade com os olhos da fé".

Em que se questiona "sobre a fidelidade ao depósito da fé" o qual não é "um museu para olhar ou salvaguardar, mas é uma fonte viva em que a Igreja sacia a sede para saciar e iluminar o depósito da vida". Ou seja, o Sínodo deve ser fonte de inspiração para dialogar com o mundo contemporâneo e responder às suas questões.

Mesmo quem não conhece em profundidade a Igreja Católica não deve esperar que esta, de repente, reescreva a doutrina que foi consolidando no seu seio ao longo de dois milénios. Aquilo a que se deve aspirar – e já será um grande salto – é a que as formulações doutrinais se adequem aos tempos atuais e deem resposta aos seus problemas.
Ver comentários