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Fernando Calado Rodrigues

O Papa e os presos

Há reclusos que rejeitam a saída em liberdade porque não têm para onde ir.

Fernando Calado Rodrigues 24 de Junho de 2016 às 01:45
Há uma tendência para esconder as realidades que incomodam, como é o caso do envelhecimento ou da delinquência. Os idosos são "despejados" nos lares de terceira idade, os presos são amontoados em estabelecimentos prisionais – e por lá são esquecidos.

O Papa Francisco, contudo, não os esquece. E expressou o seu desejo de "incentivar todos a trabalhar, não somente pela abolição da pena de morte, mas também pelo melhoramento das condições de detenção, para que respeitem plenamente a dignidade humana das pessoas privadas de liberdade". Disse-o numa videomensagem dirigida aos participantes num congresso mundial contra a pena de morte que terminou ontem em Oslo, na Noruega.

Em Portugal, por exemplo, as condições dos reclusos têm vindo a melhorar. No Estabelecimento Prisional de Bragança, onde sou assistente espiritual, o balde foi substituído por casas de banho nas celas e houve outras notórias melhorias. Mas muito está ainda por fazer.

Um dos principais problemas é a sobrelotação das cadeias. A 15 de junho deste ano, segundo os dados da Direção-Geral dos Serviços Prisionais, a taxa de ocupação situava-se nos 112,4%. Enquanto entre nós se verifica a necessidade de ampliar ou construir novas instalações prisionais, noutros países estas estão a ser encerradas, como acontece na Suécia e na Noruega. Aí encontraram-se outras formas de aplicar a justiça e apostou-se no acompanhamento dos que saem em liberdade.

Em Portugal, porém, há reclusos que rejeitam a saída em liberdade porque não têm para onde ir. Durante a sua reclusão nada os prepara para a vida cá fora e, muitas vezes, acabam por regressar ao mundo do crime e, mais tarde, à prisão. É por isso imperativo apostar na prevenção. É crucial aplicar penas alternativas à prisão. E é obrigatório acompanhar, séria e empenhadamente, os que saem em liberdade. Só é justo quem tenta ajudar o seu semelhante a melhorar.
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