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Fernando Medina

Construir o futuro em Lisboa

Transportes públicos a funcionar bem, com qualidade e acessíveis a todos, são essenciais para o futuro de qualquer cidade.

Fernando Medina 23 de Novembro de 2016 às 01:46
Lisboa tem uma prioridade clara para o transporte público: mais oferta, melhor serviço, preços mais reduzidos. E queremos fazê-lo com equilíbrio financeiro, sem gerar nova dívida.

Transportes públicos a funcionar bem, com qualidade e acessíveis a todos, são essenciais para o futuro de qualquer cidade. Para a qualidade de vida, para a competitividade, para a coesão ou para o ambiente. Por isso, o acordo assinado esta semana entre o Estado e a Câmara de Lisboa sobre a Carris é tão importante para o futuro da cidade.

Entre as grandes áreas metropolitanas da Europa, Lisboa é das que estão menos bem colocadas. Só menos de metade das deslocações é realizada com recurso a transporte público ou a modos suaves de mobilidade, contra os 60% em Paris ou Londres, 65% em Berlim ou 75% em Barcelona.

Esta situação vem de longe, mas conheceu um especial agravamento com o último Governo. Nos últimos 5 anos, perderam-se 100 milhões de deslocações em Lisboa. A Carris em 2010 fazia 42 milhões de quilómetros, em 2015 fez 29 milhões. O estado dos transportes em Lisboa dificilmente podia ser pior.

Ao assumir o controlo da Carris, o compromisso da Câmara só podia ser um: trazer mais pessoas de volta ao transporte coletivo, expandir a rede e a oferta, reduzir os preços para níveis compatíveis com os rendimentos das famílias e atrativos face ao automóvel. É uma mudança radical. Pela primeira vez em décadas, o plano estratégico não é reduzir o transporte e aumentar os preços, mas sim diminuir os passes para idosos e para as famílias com filhos até aos 12 anos, criar novas linhas e melhorar o serviço.

Isto será feito assegurando que a Carris ficará, como todas as empresas do município, financeiramente equilibrada e sem acumular nova dívida. Vamos acrescentar outras fontes de financiamento às receitas da bilhética, como se faz em todas as grandes cidades europeias. Financiar o transporte público com as receitas do estacionamento ou das multas faz sentido, pois permite investir, melhorar o serviço e não gerar nova dívida.

Com a recuperação do emprego e da economia da cidade, entram hoje por dia em Lisboa mais 15 mil carros do que há dois anos. O espaço necessário para circular ou estacionar estes carros corresponde a uma fila de 75 quilómetros ou a cerca de quatro faixas de rodagem entre Algés e o Parque das Nações totalmente preenchidas. É evidente que isto não é sustentável, e é por isto que o acordo agora firmado é tão central para o futuro.

Esperança precisa-se
Não são tempos fáceis para os progressistas e para os defensores das sociedades abertas. O Reino Unido votou pela saída e o Partido Trabalhista de Corbyn não se distanciou suficientemente do protecionismo.

Na América, Trump e os republicanos derrotaram Hillary e os democratas. Em Itália, Renzi pode estar a poucos dias de se demitir por causa de um referendo de consequências imprevisíveis para o futuro da moeda única, dadas as posições anti-euro da oposição. Em França, as primárias à direita são vistas como o processo de escolha do adversário de Marine Le Pen, como se o Partido Socialista contasse para pouco ou nada. Na Europa de Leste, os nacionalismos progridem e há mesmo países em que os socialistas já nem têm representação parlamentar.

Na Alemanha, Merkel surge como única referência para travar os populistas. As recentes declarações do comissário Moscovici vão no sentido certo e só pecam por tardias e sem força: equilibrados os défices, é tempo de a Europa se virar para o crescimento e o emprego, sob pena de perder de vez o apoio da maioria das pessoas.

Nova Biblioteca de Marvila
No próximo domingo, dia 27 de novembro, a Biblioteca de Marvila abre as portas. Será a segunda maior biblioteca municipal e uma âncora que funcionará não só como simples espaço de leitura, mas também como um espaço de apoio ao estudo com a ajuda de computadores, assim como um local de realização pessoal e cultural. Um espaço especial para um bairro especial.
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