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Fernando Medina

O tempo de Costa

Inicia-se agora o tempo de António Costa.

Fernando Medina 25 de Novembro de 2015 às 00:46
Inicia-se agora o tempo de António Costa. Com a indigitação de ontem pelo Presidente da República para Primeiro-Ministro, acabaram as dúvidas e as especulações, e ganha forma aquela que era a única solução possível depois da queda do Governo de Pedro Passos Coelho: um Governo do PS, liderado por António Costa, com o apoio parlamentar dos partidos à esquerda. É caso para dizer que o que tem de ser tem muita força.

A primeira prova de António Costa está, pois, superada. E a segunda, a formação do Governo, parece ir no bom caminho. O contraste entre a capacidade de recrutamento e alargamento deste novo Governo com o esgotamento revelado pelo último elenco governativo da direita é muito significativo.

Mas a prova de fogo de António Costa começa com o Orçamento para 2016, para o qual já conta com uma negociação bastante consolidada com BE, PCP e PEV. O desafio vai ser conciliar a maioria que quer a mudança nas políticas económicas e sociais com as instâncias europeias e o respeito pelas regras da Zona Euro.

Se António Costa for bem-sucedido, rapidamente se vai consolidar e afirmar na opinião pública e colocará um sério problema à direita.

É que a estratégia de radicalização da direita, na base de uma alegada ilegitimidade do novo Governo, não funciona no médio e longo prazo, e muito menos se este governar bem. Por um lado, o discurso a que temos assistido só mobiliza os convertidos, mas afasta por completo o centro político, pois a maioria dos portugueses não quer instabilidade e crispação, e não vai apoiar uma direita que vota contra tudo. Basta ver como Marcelo Rebelo de Sousa se tem distanciado desta linha para perceber isso mesmo.

Por outro lado, e mais importante, o prazo de validade da coligação esgotar-se-á e com ele regressará a competição entre o PSD e o CDS e certamente veremos alterações na liderança de um ou de ambos os partidos.

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Depois de França, a Bélgica 
Depois de França, é a Bélgica a declarar o estado de alerta máximo face à ameaça terrorista. Internamente, os Estados europeus vão ter de trabalhar para neutralizar as células terroristas do Daesh, num complexo equilíbrio entre os valores da liberdade e da segurança.

Na frente externa, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou com clareza a linha a seguir: anular os avanços territoriais do Daesh, cortar as suas fontes de financiamento e chegar aos seus dirigentes. Isto vai exigir uma cooperação única entre as grandes potências. É o que começamos a ver, com a França a tentar mobilizar a Rússia e os Estados Unidos.

Mas vai exigir algo mais difícil, isto é, o envolvimento numa estratégia comum de combate ao terrorismo das potências regionais – Turquia, Arábia Saudita e Irão.

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Comemorar o 1.º de Dezembro
Na próxima semana comemoramos em Lisboa o 1.º de Dezembro. As sociedades precisam de memória e identidade para se projetarem de forma coesa no futuro.

Comemorar a restauração da independência nacional e a libertação de 1640 é, pois, mais do que uma celebração do passado: é celebrar o futuro. Até terça, nos Restauradores!
António Costa Presidente da República Governo Pedro Passos Coelho BE PCP Marcelo Rebelo de Sousa PSD CDS
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