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Fernando Sobral

Guerras

Os temas dos Neubaten são sobretudo sobre a terra de ninguém.

Fernando Sobral 20 de Dezembro de 2014 às 00:30

As guerras ganham-se ou perdem-se mas estão repletas de memórias. Um século depois do início da I Guerra Mundial, muitas comemorações relembraram a luta de trincheiras onde milhões de homens pereceram para conquistar centenas de metros de terreno inútil.

Curiosamente a cidade flamenga de Diksmuide, onde se desenrolou a batalha de Yser em Outubro de 1914, decidiu marcar a data convidando o grupo alemão Einsturzende Neubaten para fazer uma performance musical. E esta surge agora num disco quase letal, ‘Lament’. Longe vão os tempos do radicalismo extremo da música do grupo alemão, onde o som industrial ecoava na cabeça de quem os ouvia até dias depois do sucedido. Agora há mais suavidade e bom senso musical. Três décadas de actividade acalmam qualquer um.

Os temas dos Neubaten são sobretudo sobre ‘a terra de ninguém’ entre trincheiras, onde se perdiam vidas sem sentido. É de dor e sofrimento, do fim de todos os sonhos, que aqui se fala através da recuperação de textos dessa época, ilustrados musicalmente por um som que às vezes parece um rolo compressor. Escutamos extractos da correspondência entre o ‘kaiser’ Guilherme e o czar russo Nicolau II, com um som de horror por detrás. Mas no disco há evocações do mundo dadaísta e do ‘cabaret’ alemão, numa alucinação colectiva única. E, claro, o líder do grupo, Blixa Bargeld, continua intratável: escute-se ele a ler o relatório de um regimento de infantaria alemão em ‘On Patrol in No Man’s Land’. Um choque brutal. Como todo o disco, nesta era de melodias puras.

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