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Fernando Sobral

Jogadora

Macy Gray sabe escrever e cantar e é isso que a torna mais poderosa.

Fernando Sobral 10 de Janeiro de 2015 às 00:30

Macy Gray gosta de jogar. Ela própria já o confessou. Já perdeu centenas de milhares de dólares, especialmente em Las Vegas, onde adora jogar poker. Mas o sucesso do seu primeiro disco foi o suficiente para poder arriscar no jogo. Afinal tudo é uma lotaria: a vida, o sucesso no mundo da música, a sorte no amor. Ela sabe isso. Talvez por isso o seu último disco, ‘The Way’, seja uma bússola que mostra o caminho para uma existência segura, no meio de tempestades sem fim. Macy Gray sabe escrever e cantar e é isso que a torna ainda mais poderosa. Em ‘The Way’ fala de tudo (da independência feminina, do triunfo sobre a adversidade, do amor próprio) através de uma multiplicidade de géneros musicais (neo-soul, rock, hip hop, influências do disco). O resultado é poderoso e incontornável.
O que mostra o grau de maturidade a que chegou a cantora. ‘Bang Bang’, um dos temas mais fortes do disco, vive num ambiente rock que é excelente para reforçar a sua mensagem: o poder próprio de cada mulher. É quase um hino de força. Macy Gray controla as emoções e partilha-as connosco, como se escuta exemplarmente em ‘Stoned’, outro tema onde o poder feminino está claramente presente. Em ‘I Miss the Sex’, Macy Gray desdobra a sua voz no meio de melodias que evocam ambiências do jazz e as suas palavras vão-se entranhando nos nossos sentidos como flechas de Cupido. Ela consegue fugir à pop demasiado igual, com os mesmos ritmos e tiques repetitivos, que impera hoje na música global. Macy Gray joga. E se em Las Vegas perde, aqui ganha. 

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