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Francisco J. Gonçalves

Todos diferentes

As bombas não distinguem culpados de inocentes, mas distinguem seres humanos de primeira e seres humanos de segunda.

Francisco J. Gonçalves 6 de Janeiro de 2016 às 00:30
"Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países." A frase é o ponto 1. do artigo 14º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Firmada em 1948, foi um passo em frente na luta por direitos fundamentais e universais. Apenas três anos antes, uma guerra devastadora matou milhões na Europa e Ásia. Se a Segunda Guerra Mundial foi um imenso fracasso da Humanidade, a Declaração foi um passo mais na luta de séculos pela liberdade e contra o monstro destruidor que nos habita.

Lamentavelmente, como prova a crise dos refugiados, nos quase 70 anos que nos separam desse documento, pouco avançámos para tornar reais e efetivas as palavras e intenções da Declaração Universal.

O dia em que o verdadeiro direito de asilo exista na prática coincidirá, possivelmente, com esse outro, muito distante, em que políticos e cidadãos europeus considerem tão inaceitável bombardear cidades sírias como arrasar bairros no centro de uma cidade europeia. As bombas não distinguem culpados de inocentes, mas distinguem seres humanos de primeira e seres humanos de segunda.
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