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Francisco Moita Flores

Assédio de crianças

Humanismo é um conceito que vem perdendo força em detrimento da competitividade.

Francisco Moita Flores 30 de Maio de 2021 às 00:30
O menino atropelado esta semana, tentando escapar às agressões e à perseguição de meia dúzia de meninas que procurava humilhá-lo, trouxe à baila o problema do bullying nas escolas. Não quero personalizar esta reflexão sobre este caso. Interessa-me mais esta microcultura de manifestação de poder através da agressão, da exclusão, da humilhação como prática vulgar em muitas escolas do País.

Se vasculharmos um pouco nas motivações e nas referências morais destas crianças agressoras, veremos que estão a ser confrontadas num quadro de valores que confronta o modelo e a ideação que serve de paradigma para a sua aprendizagem e formação como futuros cidadãos. Na verdade, humanismo é um conceito que vem perdendo força em detrimento da competitividade. Novos heróis que se afirmam através de uma cultura mais subordinada à conflitualidade, ao desapego afetivo, à manifestação pública e privada da violência. Sabe-se como a imitação tem uma função primordial no processo educativo. A começar pelos comportamentos e atitudes dos pais. Numa comunidade cada vez mais crispada, mais competitiva e cada vez mais pobre, dominada por défices de literacia, pela exaltação da emoção, incapaz de uma racionalidade crítica e tolerante, é de uma grande hipocrisia atirar para cima da Escola as responsabilidades das distorções comportamentais que são mimetizadas da família. Os pais que se indignam com aquelas crianças agressoras na escola do Seixal, são capazes de ser os mesmos que desvalorizam a educação física e o desporto escolar como instrumentos decisivos de socialização e estabelecimento de aprendizagens da camaradagem. Os mesmos, que compram videojogos de violência e de matança para oferecer no Natal. Os mesmos que não se inibem de insultar e agredir quem pensa de forma diferente. Os mesmos que ensinam processos de bestialização através da bebedeira e do espancamento das mulheres. É duro mas estes casos são a maior evidência do nosso subdesenvolvimento.
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