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Francisco Moita Flores

Crianças assassinadas

Daí a repulsa, quase visceral, quando a mãe mata os filhos ou não se importa que eles morram às mãos de terceiros.

Francisco Moita Flores 6 de Março de 2016 às 01:45
Sem necessidade de recorrer à Justiça divina, existe uma Justiça maior do que aquela que se rege por normas jurídicas. Resulta da nossa vida em comum regida por preceitos e deveres que não se incluem em nenhuma lei. Um desses deveres tem a ver com a protecção dos nossos filhos.

O dever de cuidar deles, de os proteger, de os alimentar, de lhes ensinar os primeiros passos, as primeiras letras, de um abraço, de um colo, de uma voz que apazigua, de um peito que consola. Sendo deveres, para o comum dos mortais são actos espontâneos ditados pelo amor. Um amor indefinível, entranhado na experiência dos pais, que é prazer em vez de dever, alegria em vez de obrigação.

É da história dos homens e da história de todos os animais. A dedicação da fêmea pela sua cria. A Mãe é o símbolo maior desse conjunto de deveres que o milagre da Vida transforma em amor infinito.

Daí a repulsa, quase visceral, quando a mãe mata os filhos ou não se importa que eles morram às mãos de terceiros. E se ainda existe algum espaço para tentar compreender a mãe que afogou os filhos em Caxias, fosse por desespero, fosse por transtorno emocional, a Justiça das leis decidirá. Porém, nada é capaz de conter a indignação dessa Justiça maior do que a lei, ao sabermos que esta mãe de Portimão se desinteressou do destino trágico da sua cria, morrendo às mãos do padrasto, e, ainda por cima, mentindo a todos quantos a ouviram nas televisões, anunciando um desaparecimento, que ela sabia ser de morte, abrindo a fuga ao matador.

Até agora, a tal Justiça feita de leis e muito trocadilho jurídico deixou-a à solta, indiferente à mentira e ao sortilégio que ela fabricou. Porém, a tal Justiça feita de amor, de compaixão, que ensina os sonhos e o futuro às crianças, jamais perdoará tamanha traição. É a condenação a que vai estar submetida o resto da vida por não ter aprendido a amar.
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