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Francisco Moita Flores

Deserto de ideias

Chega ao limite de provocar náusea a luta que é travada entre os dois grandes partidos.

Francisco Moita Flores 27 de Setembro de 2015 às 00:31
Édeprimente. Chega ao limite de provocar náusea a luta que é travada entre os dois grandes partidos que disputam a liderança do governo. Vale tudo. Mentir e cantar. Manipular e saltar. Um frenesim de lugares comuns, de mediocridade vulgar, sem honra, sem caráter, mostrando, antes do mais, a grave crise moral que atravessa estes partidos. Passos Coelho e Portas conseguem, como ilusionistas de um circo rasca, esconder o óbvio. A crueldade com que destruíram emprego, como puseram centenas de milhares de jovens quadros a emigrar, como desfizeram os funcionários públicos, humilharam os reformados e desprezaram os professores. Parece que nada aconteceu.

Que estamos no caminho da salvação. Que os dois, por serem pequenos demais, encarnam um só D. Sebastião que chegou para nos salvar das garras socialistas. Escondem a brutal dívida que acumularam e não pára de descer, escondem a miséria que produziram, a multiplicação dos pobres. Só não disfarçam o descaramento servil perante os poderosos. Nem se sabe o que querem fazer nos próximos quatro anos. Escondidos atrás de ‘ses’. Se isto for assim, fazemos assado. Esta coligação é a verdadeira vendedora do vigésimo premiado. Mas burla bem feita e que encanta o povo indígena.

Já Costa e a sua tralha promete tudo. É o oitenta daquele oito. O programa onde tudo cabe. Até o brutal e inesperado défice que não se esperava há um mês atrás, bem depois do seu querido programa estar escrito. Arrasta-se penosamente preso à palavra dada quando destronou, em golpe nas costas, António José Seguro. Na altura, a faca veio no fio das palavras. ‘Soube-me a poucochinho’ a vitória que o PS alcançou nas europeias e não se contentava com menos. Com ele, a maioria absoluta era certa. E agora, é vê-lo de terra em terra prometendo o Céu, embora a fazer fé nas sondagens, aquele velho ‘poucochinho’ ainda possa ser mais poucochinho.

Nem um grupo, nem outro, apresenta uma ideia estratégica para Portugal. Nem um projeto que mobilize um povo que precisa de esperança como de pão para a boca. Vazios. Terrivelmente vazios. A disputa não é política. É meramente funcional. Ou seja, de saber quem vai empregar boys e inúteis, jotas e preguiçosos no aparelho de Estado. É a mais vil tristeza. E o mais degradado espetáculo de rua. O povo sempre gostou de circo. Não admira que hesite em qual dos grupos vai votar.
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