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Francisco Moita Flores

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Só um grande otimismo, entre a comédia e a farsa, permite acreditar que o tempo ruim já foi.

Francisco Moita Flores 24 de Janeiro de 2016 às 00:30
Desconfio que o discurso populista que este governo trouxe, decretando em apoteose que a austeridade chegara ao fim, está a dar as últimas.

Mais do que as palavras, é a expressão do ministro das Finanças que denuncia essa inquietação ao explicar o Orçamento de Estado. Perdeu o ar de apóstolo de bem-aventuranças e criador de todas as benfeitorias finitas e infinitas, o rosto fechou, e vem anunciar nova carga de impostos que suporte as pequenas benesses que foram distribuídas para agradar aos seus aliados de ocasião.

E já deu para perceber que tudo aquilo que foi devolvido para demonstrar que a austeridade não passava de um mero amuo vai ser retirado com elevados custos. Devemos ser o único país do mundo em que um governo proclama o fim da austeridade para nos deixar ainda mais pobres.

Ainda por cima, prometendo aqui, aquilo que não pode assegurar em Bruxelas, o verdadeiro centro do poder. É a maior diferença entre a D. Maria Luís e o senhor Centeno. Ela percebeu logo que era criada dos sobas instalados na União Europeia. Ele, por enquanto, quer dar mostras que não é moço de estrebaria. Vai lixar-se e lixar-nos. Faltam milhões para o Orçamento se cumprir. Sobretudo faltam os milhões, até agora esquecidos, que temos de pagar por causa do escândalo BES e deste mais jovem que dá pelo nome de Banif.

Tem uma virtude este Orçamento. Põe o Bloco de Esquerda e o PCP a dizer bem e a aplaudir subidas de impostos. Coisa nunca vista! Castigam o consumo, dizem eles. Sê-lo-á numa leitura mais simplista. Porém, vai arrastar o aumento de preços que decorre da ação dos transportes, que levam os alimentos e outros bens de necessidade ao País.

Só um grande otimismo, construído entre a comédia e a farsa, permite acreditar que o tempo ruim já foi. Nem é preciso esperar muito para ver no que vai dar esta fartura mal contada. Ou não fosse 2016 ano do El Niño.
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