Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
6
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Forças Desarmadas

Fala-se da falta de videovigilância com o à vontade com que se palita um dente.

Francisco Moita Flores 2 de Julho de 2017 às 00:31
Esta gente anda a brincar com o fogo. Este assalto aos paióis de Tancos não é o primeiro ocorrido nos últimos tempos. O primeiro foi numa unidade de Comandos, o segundo ainda está fresco e ocorreu no depósito de armamento da PSP e, agora, qual cereja em cima do bolo, a crer nas listagens publicadas nos jornais, de um dos mais poderosos centro militares do País é furtado um verdadeiro arsenal de guerra. O ministro cospe para o ar.

Existem coisas mais dramáticas a decorrer no continente, diz ele, referindo-se a ataques terroristas e, claro, mandou instaurar um inquérito que, por sua vez, irá dar origem a outro, coerente com a cultura deste Governo, onde mal as coisas aconteceram (veja-se o caso de Pedrógão Grande) se multiplicam inquéritos e vemos um verdadeiro exército de cavalheiros a fugir com o rabo à seringa.

O potencial bélico roubado tem um poder destrutivo que vai muito para além dos materiais usados em Manchester ou no Bataclã, em Paris. Porém, o mais extraordinário é que estes roubos atingem o cerne das forças que são os baluartes da defesa do país. As Forças Armadas existem porque existem paióis que guardam a sua capacidade de fogo. Daí que não se compreenda a ligeireza, quase cínica, com que o episódio foi relativizado pelo ministro da tutela. Não se retira uma única conclusão firme, fundada nos princípios da honra e probidade, que deveria levar a cadeia de comando que tem a tutela deste paiol a ser imediatamente demitida. Fala-se da falta de videovigilância há mais de dois anos com o à vontade com que se palita um dente e, como não podia deixar de ser, foi tudo um problema de azar. O Governo até estava a estudar medidas para resolver estas coisas. Também estavam a estudar medidas para a floresta quando estoirou a tragédia de Pedrógão Grande. Não são políticos. São estudantes. Para estas criaturas o país pouco importa. É o grau zero da mediocridade política.
Manchester Tancos Grande Pedrógão PSP País ministro Governo Bataclã Paris Forças Armadas política
Ver comentários