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Francisco Moita Flores

Off-charadas

Os predadores continuarão a fazer o seu caminho de enriquecimento ilícito e os pobres que paguem as crises.

Francisco Moita Flores 10 de Abril de 2016 às 00:30
O reboliço que vai na comunicação social a propósito dos Papéis do Panamá, ou seja, da divulgação de off-shores onde se esconde dinheiro vindo de todos os lados, desde a corrupção, à droga, às grandes negociatas, não é mais do que isso: uma tempestade breve, passageira, deixando alguns danos na paisagem. Apenas isso. Não vai alterar em nada aquilo que é a função e finalidade dos paraísos fiscais. É uma discussão viciada. Os principais intérpretes têm responsabilidade acrescida, quer política quer por interesse próprio, na manutenção destes lugares secretos que escondem biliões dos olhares mais curiosos. Nomeadamente da tributação fiscal. É que as off-shores são parte da natureza do próprio capitalismo. Com variados formatos, é certo, mas sempre presentes desde o séc. XVI, quando esta lógica económica e social determinou a organização dos países. De certa forma, o mercado de capitais, agora desvendado no Panamá, não passa de uma feira de Carcavelos ou da Ladra, frequentado por ricos e poderosos do Mundo. E é uma injustiça focar naquele país esta histérica atenção. Sobretudo quando sabemos a União Europeia encharcada de paraísos fiscais. Luxemburgo, Inglaterra, Holanda e Áustria são alguns dos países onde se escondem a maior parte das empresas portuguesas e de portugueses que delapidaram o património nacional. Que autoridade moral podem ter estes dirigentes políticos para fazerem os discursos de indignação que lhes ouvimos quando, nos seus próprios países, possuem as válvulas de escape que permitem a respiração mais folgada do capitalismo? Nenhuma.

Desiludam-se os indignados de ocasião e os pregadores da moral política. Os predadores continuarão a fazer o seu caminho de enriquecimento ilícito e os pobres que paguem as crises geradas pela selvajaria financeira. Sim, os pobres que paguem a crise. São muitos mais e já estão habituados. O resto são charadas para alegrar a malta.
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