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Francisco Moita Flores

Sem paixão

Os candidatos dos maiores partidos não são os desejados pelas oligarquias que dominam as direções.

Francisco Moita Flores 17 de Janeiro de 2016 às 00:30
Não tenho memória de uma campanha eleitoral tão melancólica. Parece uma banalidade. Qualquer coisa sem impacto político, como se não fosse a eleição de um novo Presidente da República e estivéssemos a escolher o nosso representante num euro-festival de canções. Desde logo, porque os candidatos que emergem dos maiores partidos não são os desejados pelas oligarquias que, neste tempo, dominam as suas direções. O PS viu-se desamado por Guterres, o mais poderoso candidato para uma competição presidencial a sério. António Vitorino não quis. José Sócrates tornou-se impossível.

Por outro lado, Passos Coelho , habituado ao bom emparelhamento com Cavaco Silva, procurou bem cedo assassinar a candidatura de Marcelo. O perfil do futuro presidente, que fez aprovar num obediente e servil Congresso partidário, estava a anos-luz de um Marcelo irrequieto e efusivo e assentava que nem uma luva em figuras como Durão Barroso ou Rui Rio. Não pensava na República. Pensava em si e no seu governo.

Esta campanha é, em si mesma, a expressão da grave crise que atravessa o já desvanecido prestígio das claques partidárias e chega ao ponto do agora primeiro-ministro ser obrigado a uma decisão nunca vista: temos dois candidatos mais ou menos nossos – Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa – portanto, votem num dos dois. Diga-se, desde já, que apoia os dois com a certeza de que aplaudirá aquele que passe à segunda volta. A ausência de uma candidatura verdadeiramente amada põe Costa a tratar as eleições presidenciais como se fosse uma eliminatória da Taça de Portugal. Chegados aqui, percebe-se a falta de paixão dos dois grandes partidos por esta campanha. Nenhum dos candidatos pode ser a reencarnação do Desejado. Ah, e ainda por cima, é um cargo que não distribui muitos tachos. Não existe mesmo razão para grandes paixões.
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