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Gonçalo Leite Velho

Precária

Ciência arrisca-se a ficar tão impotente politicamente como a Cultura.

Gonçalo Leite Velho 6 de Dezembro de 2020 às 02:50
Esta semana, uma universidade foi condenada por baixar o salário de um bolseiro integrado pelo PREVPAP. O caso é duplamente excecional, quer porque contraria a impunidade laboral dada às universidades, quer pelo reduzido número de investigadores integrados pelo PREVPAP. Mas a questão mais vasta é o trade off instituído, em que a estabilidade laboral corresponde a um corte salarial.

A informalização das relações laborais do Ensino Superior e Ciência (as bolsas), resultou no alastramento do "antes pouco que nada" – pensamento incrustado numa economia pouco qualificada, que passou para a geração qualificada. A revolta com os parcos resultados dos concursos de projeto e de emprego científico é transcrita em movimentos informais (artigos de opinião e petições), mas resiste a inscrever-se como ação sindical. Esta precarização da Ciência arrisca a torná-la tão impotente politicamente como a Cultura. Reduz-se a reclamações precárias (o remediado imediato), que começam e terminam na situação pessoal ("toca-me, ou não me toca"). Margaret Thatcher afirmou que não existe sociedade, apenas indivíduos. A Ciência arrisca-se a não ter organização, apenas individualidades.
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