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Joana Amaral Dias

A lebre e a tartaruga

Em ‘Lucky’ há um cágado lento que prefere arriscar a sorte no deserto do que passar toda a sua longa vida protegido pelo dono

Joana Amaral Dias 11 de Dezembro de 2017 às 12:52

Em ‘Lucky’ há um cágado lento que prefere arriscar a sorte no deserto do que passar toda a sua longa vida protegido pelo dono, o seu jardim murado, os seus cuidados veterinários e até a sua herança. O protagonista deste filme de John Carroll Lynch é um pouco como esse pequeno réptil: antes quer viver banalmente do que ser escravo de uma esperança média de vida, ou criado da promessa de uma saúde olímpica. Não que a sua existência seja pirotécnica ou a sua dieta colesterol em direto. Há copos e cigarros tanto como caminhadas e ginástica, numa rotina monótona. Mas essa trivialidade não o impede da intensidade da vida. Um quotidiano repetido numa pequena cidade perdida pode, afinal, ser tão forte e profundo como qualquer biografia heroica, genial ou glamorosa desde que não falte o nervo: a verdade emocional. Por isso, quando se escuta Harry Dean Stanton a cantar
o ‘Volver, Volver’ com uma voz arranhada pelo tempo e genuína até ao osso sente-se um murro no estômago. Por maior que seja a nossa carapaça de tartaruga.

Título: ‘lucky’
De: john carroll lynch

Com: harry dean
stanton, david lynch
e ron livingston 

 

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