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Joana Amaral Dias

Banalíssimas

Há muitas razões válidas para que este caso cause raiva e rancor.

Joana Amaral Dias 16 de Dezembro de 2017 às 00:30
Todos procuramos o raro na vida - beleza, amor, talento - e é em grande medida a esperança de que o encontraremos que nos faz respirar. O início da história da Raríssimas tem essa espessura da exceção, do único: uma mulher de origens modestas, que perde a sua criança com problemas de saúde graves, consegue transformar a escara numa missão maior pelos filhos dos outros e superar a sua condição social. Valente.

Já o que acontece depois transforma a excelência num lixo ordinário, num déjà vu rafeiro: a dita senhora, traça atraída pela luz, rodeia-se de políticos babosos. Assim que a crisálida advém borboleta, eles parasitam-na também.

Embebeda-se no vórtex do poder, deslumbra-se, quer ser doutora, vestir estilista, sapatito da marca, viajar, conhecer o Papa, postar a selfie. Quer reverências e salamaleques, respeitinho muito lindo, o seu império crescente, o herdeiro da parada. Quer esquecer o seu passado. Vómito.

Há muitas razões válidas para que esta caso cause raiva e rancor. Uma delas é que, mais penoso do que nunca encontrar a tal singularidade, o raro, raríssimo, é assistir a quem o encontra para logo o desprezar, quem encontre o trevo para o espezinhar.

Por isso é difícil ignorar esta história. Por isso parece impossível perdoar à banalíssima.
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