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João Botelho

Os pés pelas mãos

A democracia transformou-se num jogo falso e baixo, num programa de televisão.

João Botelho 24 de Setembro de 2015 às 00:30
Ou também as mãos pelos pés. Andam muito atrapalhados os nossos dois principais candidatos a primeiro-ministro. Como qualquer treinador mediano do jogo, que com os pés se joga, esperam um erro alheio para atacar o adversário ou freneticamente agitar as mãos reclamando falta. Todos sabemos que neste pobre país o futebol manda demais – deve ser caso único no mundo haver dezenas de jogos no dia das eleições! – mas com tácticas medíocres dos dois lados, isto acabará provavelmente num empate.

De um lado, agita-se o medo e a culpa, esses mesquinhos sentimentos a que os velhos portugueses são muito sensíveis. Não foi assim que sofremos mais de três séculos de inquisição e meio século de fascismo? Do outro lado, na verdade mais simpático, o pouco de felicidade que é prometido não consegue ser bem explicado porque a sujeição aos centros financeiros, que ninguém sabe ao certo onde ficam e que mandam no mundo, o impede. A democracia transformou-se num jogo falso e baixo, num programa de televisão, que apesar de comentadores muito agitados, para isso lhes pagam, e das sondagens ao minuto (ninguém acredita nelas!), torna as pessoas passivas e muito contentes por delegar um poder que deveria ser seu. É verdade que mais de 3 milhões de portugueses viram os debates principais, mas não são um pouco menos de que os que diariamente assistem aparvalhados às novelas da TVI e da SIC (ainda há alguns milhares a ver as da RTP), cujos enredos tornam mais culta tanta gente? As arruadas estão quase às moscas e os comícios cheios, mas com pessoal dos aparelhos. Os outros partidos, pequenos e médios, alguns dos quais têm propostas mais interessantes e patrióticas não são para aqui, nem para ali chamados. Quem ganha? A SIC ou a TVI? A televisão do serviço público não ganha de certeza.

E no mundo da democracia também andam muitos líderes a meter as mãos pelos pés. Que diabo, não há ninguém que ponha cobro às actividades criminosas do fascista Viktor Orbán, fascinado pelo culto da morte, que não contente em gasear os pobres fugitivos, fez uma lei que permite aos seus soldados atirar a matar? Tantas sanções para tantos países e para ele não?

Morreu o Vítor Silva Tavares, um homem bom, inteligente e culto, que prezava a vida e a criação literária. Obrigado pelo que fez nesta terra!
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