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João Botelho

Oh Lisboa, meu Lar

Para onde é que o raio do vento levou Dias Loureiro e os seus milhões que ninguém vê?

João Botelho 30 de Julho de 2015 às 00:30
O vento sopra onde quer, mas agora sopra aqui, diante de mim, agitando as árvores para onde olho. Sol e vento, Agosto a chegar, mês onde a minha Lisboa me é devolvida. Se as flores das buganvílias começam a secar, os jovens pardais guerreiros engordam, roubando aos estúpidos pombos as migalhas no chão do jardim. O fedor dos escapes em volta já não é tão grave, o trânsito é mais calmo.
Abençoado vento que leva para longe os ruídos de perto e traz de longe a vozearia dos turistas de todas as línguas, do centro da cidade para mim, como uma cacofonia musical. Por mais que tentem, as companhias dos voos baratos, a praga dos Tuk-tuk e os quartos arrendados por quase nada não conseguem transformar Lisboa em Albufeira. Ainda há espaço.
Os lisboetas, como os outros portugueses, vão de férias: Algarve e Açores (o novo destino). Os mais afoitos para Cuba e as outras Caraíbas, dez dias tudo incluído!, esquecendo-se que os empréstimos terão que ser pagos.
E muitos, muitos ficam em casa que não têm dinheiro para mais nada.
Em casa, ou melhor, no casarão, também ficou o dono disto tudo, "humilhado" que foi pelo Juiz Carlos Alexandre. Humilhado? Se ele foi "pelo próprio motorista" e sem pulseira. Os polícias não chegam para guardar todas as portas da propriedade. Uma porta, a de trás que dá para a igreja, não tem vigilância, diz o jornal. Os sofás, os livros ainda não foram arrestados. Tempo para pôr a mão na consciência e rezar. Mas ele não foi visto na missa de domingo!, disse o jornal.
Duas folhas de jornal são levadas pela ventania que varre a esplanada. Numa, podia ler-se que o "famigerado" juiz ainda vai fixar terríveis medidas de coacção a dezenas de arguidos, o resto do iceberg! E noutra: "Vão ser precisos mais de 20 anos para o desemprego voltar ao nível da pré-crise." Assim, os jovens formados não farão filhos e continuarão a emigrar.
Os juros da dívida em todos os prazos não param de subir. Vêm aí as eleições. Portugal à Frente e a coligação atrás a fazer promessas que sabe que não pode cumprir. A oposição cinzenta, à cautela, nem isso. Só brilha a competente Mariana Mortágua, mas o partido dela…
Neste tempo de calma e sossego, gozem o sol e o vento. Só uma coisa me inquieta: O José Sócrates sei onde está, mas para onde é que o raio do vento levou Dias Loureiro (que quando era pobre telefonou: "Pai, sou Ministro!") e os seus milhões que ninguém vê?
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