Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
4
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

João Vaz

Porto à frente

Há jovens despejados no final dos contratos de cinco anos.

João Vaz 19 de Julho de 2017 às 00:30
A pré-época do futebol não é o único assunto interessante do verão e há alguns em que o Porto aparece à frente. Refiro, por exemplo, a candidatura da Invicta a sede da Agência Europeia do Medicamento, após a AR votar por unanimidade a designação de Lisboa.

O grande triunfo político do Porto neste verão é, porém, o apontar caminho, pelo seu presidente de câmara, à nova prioridade de António Costa para as políticas públicas de habitação.

Há duas ou três semanas, Rui Moreira explicou, em entrevista a Judite Sousa, o projeto de lançamento da taxa turística para financiar uma política pública de habitação que garantisse o Porto para os portuenses.

A ideia é patrocinar a construção e recuperação de habitações acessíveis à classe média e, sobretudo, aos jovens que os aumentos de rendas ligados à afluência turística expulsam para zonas suburbanas.

Lembrei-me da aposta do autarca do Porto quando, na semana passada, António Costa inovou na remodelação com uma secretária de Estado da Habitação.

Contudo, o único comentário sobre o assunto confirmou, apenas, a insensibilidade política de Manuela Ferreira Leite. Para ela, a secretaria de Estado da Habitação não adianta a quem tem casa e não a dá a quem não a tem.

Este grau zero da política foi contrariado pelo primeiro-ministro que, dois dias depois, içou a prioridade às políticas de habitação.

A situação é grave: o alojamento local turístico disparou o preço dos arrendamentos e há jovens despejados no final dos contratos de cinco anos com subida das rendas para o dobro.

No Porto, o problema é visto com inteligência. Em Lisboa, a taxa turística que já colheu uns 20 milhões de euros, é gasta em promoção turística e prevê requalificar o Palácio da Ajuda ou criar o Museu Judaico, em Alfama.

Com a nova paixão de Costa talvez se imponha a visão de Rui Moreira. Era tão bom para os lisboetas, como para os portuenses.
João Vaz opinião
Ver comentários