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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Diogo Quintela

O Sagrado e o Propano

Mesmo nos filmes catastrofistas as naves nunca são propulsionadas a vento.

José Diogo Quintela 1 de Abril de 2017 às 00:30
Écomo ganhar o Euromilhões. Parecia impossível, mas, estatisticamente, podia acontecer. E aconteceu: Donald Trump acertou uma! No meio de tantas decisões péssimas, tomou uma boa, ao acabar com restrições ao uso de carvão. Já pode fazer as malas e regressar à Trump Tower, que as probabilidades de voltar a acertar são nulas.

Pelos vistos, Trump não acredita que é a humanidade que controla o clima. O que é estranho: a haver fanfarrão convencido que o Homem domina os elementos, seria ele. Mas, por sorte, Trump não é um zelota da seita apocalíptica que nos quer obrigar a viver como no séc. XIX, para aplacar a Mãe Gaia.

Se calhar, ouviu falar do que se passou recentemente na Austrália do Sul, onde houve várias interrupções no fornecimento de electricidade. Sucede que isso se passou no meio de uma onda de calor. Sucede, também, que a Austrália do Sul se orgulha da sua política energética, toda ela à base de eólica. Sucede, por fim, que, durante a onda de calor, não houve vento durante as horas de maior canícula. Portanto, quando as pessoas mais desejavam ligar o ar condicionado, faltava electricidade.

A energia renovável tem essa maçada de ser intermitente e não se aguentar sozinha. É sempre preciso uma fonte alternativa que possa suprir as falhas. E a Austrália do Sul não só desdenhava da sua central a gás, como tinha acabado de fechar a sua última central a carvão. Sem um backup, normalmente à base de combustíveis fósseis, as renováveis falham. É como uma bicicleta com rodinhas. Os australianos resolveram tirar as rodinhas antes de terem a certeza que sabem pedalar. Espatifaram-se.

Uma das razões do blackout foi o vento não ter soprado tanto quanto se previa. Ou seja: querem-nos fazer usar uma fonte de energia que depende de previsões meteorológicas de curto prazo que não conseguem acertar, por causa de previsões meteorológicas de longo prazo que não têm dúvidas que acertaram.

Se, como profetizado, estas ondas de calor se tornam na condição permanente, talvez não seja avisado ficarmos dependentes só do vento que pode não soprar. (Ou soprar com muita força: diz que também não é bom). Sem energia fiável, a esperança é que os modelos informáticos que têm previsto os cenários cataclísmicos continuem a falhar.
Quando se resolver a questão da intermitência e armazenamento das renováveis, tudo bem, acabe-se com o resto. Até lá, não faz sentido prescindir de energia acessível e barata. Era como se, um dia depois de Gutenberg inventar a imprensa, acabassem com os gansos, porque nunca mais se iria escrever com penas.

Curiosamente, mesmo nos filmes catastrofistas em que a Terra vai ser destruída e há que emigrar para outro planeta, as naves que transportam a humanidade nunca são propulsionadas a vento. Nem a ficção científica tem imaginação para isso.

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Calmex, Chesex
As notícias sobre o surto de Hepatite A trouxeram para a ribalta o chemsex. O chemsex consiste em ter relações sexuais sob o efeito de substâncias químicas. Confesso que ando há algum tempo com curiosidade para experimentar. Mais ou menos desde que contraí matrimónio. Às vezes inicio os rituais de acasalamento no leito conjugal e sou rechaçado pela minha mulher, que alega dor de cabeça. Vou então buscar um Ben-u-ron. Ela acaba sempre por adormecer antes que o químico faça efeito. Mas estou confiante que um dia praticarei o chemsex.

Um susto de busto ou arte de invenção?
Precisamente 9 meses depois da bela campanha que a sua selecção protagonizou no Europeu, a Islândia está a assistir ao nascimento de imensos bebés. Aqui em Portugal, 9 meses depois de ganharmos o Euro, o único nascimento que foge ao normal foi o do busto de Ronaldo no aeroporto da Madeira. Ao contrário da crítica, parece-me uma obra de arte pertinente. Não só celebra uma figura ímpar da nossa história recente, como também aborda um tema relevante da actualidade. O esgar de CR7 é o de alguém que está a praticar chemsex.

Jorge Sampaio, a biografia patrocinada
A biografia de Jorge Sampaio teve 7 patrocinadores. Duas fundações, uma universidade e quatro empresas privadas. As fundações e a universidade criaram uma bolsa que, coincidentemente, foi logo atribuída a Jorge Sampaio em 2008. Desde então, segundo o Observador, nunca mais foi atribuída a bolsa D. Luís da Cunha. Ou D. Luís, da cunha.

Não me espanta. Sampaio tem historial de colaboração com empresas em obras literárias. Era ainda Presidente quando redigiu o prefácio da edição 2005 do Guia Repsol, "um exemplar prático e de fácil consulta, contendo informações muito úteis para todos os que, de proveniência interna ou externa, percorrem o nosso País, (...) usufruindo ao mesmo tempo das excelentes unidades hoteleiras". Se alguém percebia de roteiros era Sampaio. Foi ele que guiou Sócrates ao poder.
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