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Leonardo Ralha

A lição de Pilatos

Dois mil anos depois, admiramos Jesus Cristo, mas somos Pôncio Pilatos.

Leonardo Ralha 27 de Março de 2016 às 00:30
Em agosto chega ao cinema a nova versão de ‘Ben-Hur’, o nobre judeu caído em desgraça a quem Jesus deu água a beber, e que retribuiu o gesto na Via-Sacra. É mais do que natural que voltemos à narrativa na qual se funda a nossa civilização e que influenciou as restantes.

Sendo Jesus Cristo a maior personagem de sempre, ao lado tem Pôncio Pilatos, o governador da Judeia que o condena à morte, mesmo sem lhe encontrar culpa ou vislumbrar ameaça a Roma. No romance ‘Margarita e o Mestre’, de Mikhail Bulgakov, fica tão amargurado por não evitar a execução – o próprio Cristo, que responde por Yeshua Ha-Notsri, diz-lhe que é necessária – que manda enforcar Judas e fica condenado a uma eternidade de angústia.

Quase dois mil anos depois, admiramos Jesus Cristo, como ideal a que se pode ou deve aspirar, mas somos Pôncio Pilatos, inclinados a lavar as mãos perante tudo aquilo que não podemos (ou que não nos convém) alterar. Tentar fazer diferente, nem que seja de vez em quando, é a lição que ele nos deixou.

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Hino à liberdade
O manuscrito de ‘Margarita e o Mestre’ chegou a ser queimado por Bulgakov e perseguido pela intelectualidade soviética. É um hino à liberdade que deve ser lido e relido.
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