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Leonardo Ralha

De Herodes para Pilatos

Celebra-se amanhã à noite o nascimento de um menino numa zona do Médio Oriente então governada por um tirano capaz de ordenar o massacre de crianças.

Leonardo Ralha 23 de Dezembro de 2016 às 01:29
Celebra-se amanhã à noite o nascimento de um menino numa zona do Médio Oriente então governada por um tirano capaz de ordenar o massacre de crianças. Sucedeu em Belém, há mais de dois mil anos, aquilo que fez de Herodes, rei vassalo de uma zona periférica do Império Romano, nome maldito para a civilização alicerçada na vida e obra de quem só escapou por os pais terem fugido para o Egito.

Amanhã, a poucas horas de Belém, algumas crianças nascerão enquanto os pais fogem de Alepo. Sobreviveram a bombas russas, a controlos de rua de milícias iranianas e libanesas e a rebeldes que dificilmente escapam à classificação de terroristas mesmo sem a bandeira negra do Daesh.

Talvez um desses meninos (ou uma dessas meninas) venha a dedicar-se à paz e ao perdão, mas é compreensível que outros queiram um dia vingar-se do ditador sírio Bashar al-Assad, cuja manutenção no poder está assegurada por Vladimir Putin, o rei mago que vem do frio e que domina os céus, e por reis magos xiitas vindos do Irão e do Líbano. Já o Ocidente interpreta em Alepo, e no resto da Síria, o papel de Pôncio Pilatos, governador romano imbatível na arte de lavar as suas mãos.
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