Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Leonardo Ralha

O ridículo não mata

Em ‘Amor de Perdição’, Camilo Castelo Branco satirizou ‘Frei Luís de Sousa’, escrevendo que Almeida Garrett inventou a morte por vergonha, que vitima a pequena Maria ao descobrir que o Romeiro.

Leonardo Ralha 20 de Março de 2015 às 00:30

Em ‘Amor de Perdição’, Camilo Castelo Branco satirizou ‘Frei Luís de Sousa’, escrevendo que Almeida Garrett inventou a morte por vergonha, que vitima a pequena Maria ao descobrir que o Romeiro, regressado do cativeiro após Alcácer-Quibir, é o legítimo marido da mãe, que voltou a casar e teve uma filha sem ser viúva.

Tal como Castelo Branco escreveu, bastam conhecimentos básicos de Medicina para saber que não se morre de vergonha. De igual modo, a frase "o ridículo mata" não é verdadeira. O ridículo não mata e merece ser tão protegido quanto um lince-ibérico. Se um grupo de cidadãos faz vigílias à porta da cadeia de Évora, há que respeitar o direito a apanhar frio de livre vontade; se grava e partilha um hino de inspiração norte-coreana, com versos tão ridículos quanto Fernando Pessoa viu nas cartas de amor, melhor ainda; se lança o ‘Movimento Cívico José Sócrates, Sempre’, para denunciar "forças ocultas" que atacam um "preso político", prova-se que a liberdade de expressão, e até de culto, estão bem e recomendam-se.

Ainda assim, ficam votos de que o eclipse de hoje não seja mal interpretado por estes cidadãos. 

Ver comentários