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Leonardo Ralha

Uma cidade deprimida

O Barreiro acumula feridas da morte da indústria pesada que o fez crescer na era da CUF.

Leonardo Ralha 10 de Março de 2017 às 00:31
Um dinossauro de borracha, com uma mosca varejeira pousada nas costas, na vitrina de uma agência funerária a que já alguém terá dado a extrema unção, é o tipo de cartão de visita que o Barreiro dispensaria numa das suas principais avenidas. Mas a visão insólita ainda consegue ser mais animada do que os semblantes carregados de muitos habitantes de uma cidade deprimida.

Caso único entre os municípios da margem sul do rio Tejo, pois perde população desde os censos de 1991, o Barreiro acumula feridas da morte da indústria pesada que o fez crescer na era da CUF com a desolação de ter passado para terceiro plano desde que Alcochete e Montijo se juntaram a Almada como os pontos de travessia para a capital.

Perdida a oportunidade de ver construída a terceira ponte no tempo em que os fundos comunitários (e a capacidade natural dos políticos para o despesismo) ajudavam os governos a gastar como se os amanhãs que pagam nunca pudessem surgir no calendário, os barreirenses caminham de ombros caídos, por entre lojas fechadas e casas devolutas, à espera de algo bom no futuro mas sem esperança de o ver acontecer antes da segunda vinda dos dinossauros à Terra.

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