Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Leonor Pinhão

É, portanto, costume...

O Benfica é, clinicamente, a equipa mais regular da Europa. Cinco jogos, cinco jogadores na enfermaria.

Leonor Pinhão 2 de Setembro de 2017 às 00:30
Singularidades do campeão 
Findo o seu quinto jogo oficial da temporada – um empate molengão em Vila do Conde – o Benfica apresenta-se, do ponto de vista clínico, como a equipa mais regular da Europa e, eventualmente, do mundo. Cinco jogos e cinco jogadores recolhidos à enfermaria. Primeiro foi Grimaldo, titular indiscutível, seguiu-se Fejsa, titular indiscutível, depois foi Salvio, outro que tal, e, por fim, apresentaram baixa Jardel – que caminhava, lenta e naturalmente, para a titularidade indiscutível depois de um ano de ausência – e Pizzi, titularíssimo acima de qualquer discussão. A esta mão- -cheia vazia de jogadores de primeira água vem somar-se os três grandes – aliás, enormes – desfalques sofridos do último defeso: Ederson, Lindelof e Nelson Semedo. Se isto não é caso para levar as mãos à cabeça…

Não, não é caso para tal! – responderão os mais otimistas entre os apaniguados da Luz lembrando que, na época passada, foi a mesma coisa o que não impediu a festa no Marquês, Nem, muito menos, a celebração final no Jamor. É verdade que o Benfica chegou ao título em 2016/2017 não dispondo de Jonas durante metade da temporada – e isto, sim, foi uma proeza – e contando de agosto a maio com as persistentes intermitências clínicas de jogadores como Salvio, como Fejsa, como Mitroglou, como Raúl Jiménez, como Grimaldo, como Samaris e como tantos outros. É, portanto, costume. E, sendo costume, não haverá motivo para alarme. Podem até, os mais otimistas, regozijar-se pelo facto de ter sido o Benfica, mesmo desfalcadíssimo, a impor ao surpreendente Rio Ave a primeira perda de pontos nesta Liga. É uma maneira de ver as coisas pelo prisma positivo tanto mais que esta Liga só agora começou.

Trata-se tudo isto de uma questão de confiança. Uns confiarão na recuperação rápida dos pacientes, outros terão por certa a injustiça diariamente cometida pelos departamentos de propaganda do FC Porto e do Sporting que acusam os jogadores do Benfica de uma prática continuada de violência quando, na verdade, são eles – os jogadores do Benfica – que vão saindo a coxear a cada jogo efetuado. Exposto o que os otimistas e os confiantes pensam desta série de maleitas, chegou a altura de vos confidenciar o que pensam os calculistas destas singularidades. Os adeptos calculistas, mais frios e mais racionais, pensam que não podia ter vindo em melhor altura o tropeção em Vila do Conde nem a renovada onda de lesões nem as flagrantes fragilidades tendo em conta que as ditas ocorrências se verificaram a uma semana do fecho do mercado de Verão. Mãos à obra.

OUTRAS HISTÓRIAS
Balanço ainda impossível, mas… 
A expressão de Acuña em "pico cardíaco" é um hino ao futebol
É cedo para o balanço do vídeo-árbitro no campeonato olhando, exclusivamente, para a verdade que a sua existência empresta à tabela. Mas não é cedo para duas outras verdades conclusivamente instaladas ao cabo de quatro jornadas da Liga e que se revelam de uma bondade extrema não para o jogo em si, mas, em primeiro lugar, para a corporação: se, há uns anos, uma equipa de arbitragem era composta por 3 elementos e, de repente, passou a ser de 5 com a introdução dos 2 árbitros que ocupam as linhas de fundo, agora passaram a ser 7 ou 8 os árbitros em função de cada jogo com a chegada dos vídeo-árbitros. Ora isto é, corporativamente, um maná. A segunda bondade do vídeo-árbitro é, como diz o treinador do Sporting, a "grande emoção" que dá ao porque provoca "picos cardíacos que até bates coma cabeça no tecto". Aliás, a expressão de Acuña a sofrer um pico cardíaco quando o Estoril atirou com uma segunda bola para dentro da baliza de Patrício é toda ela um hino ao futebol.
Leonor Pinhão Opinião
Ver comentários