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Luciano Amaral

O que a casa gasta

É, portanto, inútil que Cavaco venha agora pedir um acordo efetivo a António Costa.

Luciano Amaral 23 de Novembro de 2015 às 00:30
Não restam muitas dúvidas sobre a maneira meio trafulha como o PS tenciona chegar ao Governo com o apoio do BE e do PCP. A esperteza saloia e a má-fé de António Costa no seu caminho até aqui impressionam. Mas a verdade é que elas se fundam em dois factos de que o PSD e o CDS não podem escapar: há uma maioria parlamentar que quer o PS no Governo, e o Presidente da República não pode dissolver essa maioria dentro do seu mandato. "Entalámos o Cavaco", rejubila a esquerda.

E é verdade: o Cavaco está entalado. Se o seu mandato continuasse em 2016, quase que aposto o que se seguiria: Cavaco pediria a Costa para apresentar um acordo de jeito; Costa não seria capaz; Cavaco diria que a solução de Costa não era viável e não era justa face às expectativas do eleitorado; nomearia um governo de transição e, lá para Maio, viriam eleições com as posições de partida clarificadas. Aliás, esta provável sequência faria com que, antes mesmo de começar, Costa se demitisse logo, que o PS nem pensasse em maiorias de esquerda e que viabilizasse o Governo PSD-CDS. Mas nada disto pode acontecer. É, portanto, inútil que Cavaco venha agora pedir um acordo efectivo a Costa. Costa voltaria a Belém com aquele seu ar satisfeito de quem "entalou o Cavaco", diria que não tinha conseguido nada e que tinha de ser mesmo assim.

Portanto, resta a Cavaco nomear um governo do PS, com apoio do BE e do PCP. O que Cavaco pode fazer é, talvez, acrescentar a isso umas notas pedagógicas. Pedagógicas para Costa, em primeiro lugar, fazendo-lhe notar o grau de desconfiança nas instituições e nas práticas institucionais que o seu estratagema introduziu.

Conhecendo nós agora o artista, isto entraria a 100 pelo ouvido direito de Costa e sairia a 200 pelo esquerdo, mas ficaria dito. Pedagógicas para o país, também, explicando que não gosta da solução, que acha que tem muitos riscos políticos e económicos, mas que todas as outras seriam piores, fosse um governo de gestão ou uma espécie de governo de iniciativa presidencial até novas eleições, ambos incapazes de governar por uma maioria parlamentar que os impediria de fazer o que quer que fosse.

Portanto, é pôr lá o Costa e acabou. Ao menos, com esta história toda, ficámos a saber o que a casa gasta.
opinião Luciano Amaral
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