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Luciano Amaral

Um lugar ao sol

O país continua uma desgraça. Felizmente, os estrangeiros não acham nada disso.

Luciano Amaral 22 de Agosto de 2016 às 01:45
Uma pessoa vai de férias e tenta ficar longe dos jornais e da Internet: um pouco como aqueles indivíduos que tomam pastilhas para adormecer nas viagens de avião, à espera de tudo ter corrido bem na altura de acordar.

Só que correu tudo mal: o país ardeu como um monte de feno; para deitar gasolina sobre o fogo, descobriu-se que um secretário de Estado foi pago pela Galp para ir ver os jogos da selecção a França; a acrescer a isto, continuou a trama da Caixa Geral de Depósitos, agora transformada num monumento à incompetência; tudo enquanto a economia continuou um desastre, tendo mesmo voltado a endividar-se à grande no estrangeiro; como se tudo isto não bastasse, até Marques Mendes ameaçou candidatar-se à Presidência da República.

Resumindo, o país continua uma desgraça. Felizmente, os estrangeiros não acham nada disso e vão chegando em hordas para se passearem de tuk-tuk pelas colinas de Lisboa. E é a eles que devemos a única boa notícia económica dos últimos tempos: o turismo é a grande actividade em expansão. Actualmente, representa mais ou menos o mesmo que as remessas de emigrantes representaram durante um século: à volta de 5% do PIB. Agradeçamos ao Estado Islâmico, que pôs os turistas em fuga do norte de África e agora da Europa. Uns dias em Paris deram para ver uma cidade pela primeira vez quase deserta de ingleses e americanos.

De facto, não há como os portugueses para viver de benesses inesperadas: o ouro do Brasil no século XVIII, as remessas nos séculos XIX e XX e agora os subsídios de férias dos Estados-Providência europeus à procura de um lugar ao sol. Mas basta que o terrorismo acalme para tudo se inverter. Só o sol não chega. A brincar a brincar, já lá vai quase uma década de crise declarada e meia de reformas, primeiro da troika e da direita e agora da esquerda. Mas o país insiste em continuar a mesma geringonça.
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