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Luís Campos Ferreira

E se Guterres…

Esta campanha presidencial foi como foi porque Marcelo não teve um 'challenger' à sua altura.

Luís Campos Ferreira 21 de Janeiro de 2016 às 00:30
E se no boletim de voto das eleições de domingo viesse o nome António Guterres com um quadradinho à frente? Como teria sido esta campanha? Teríamos tido este mesmo Marcelo? Teríamos tido um Sampaio da Nóvoa? Maria de Belém não teríamos. E Marisa e Edgar, teríamos? PS teríamos certamente. E que resultados viríamos a ter?

O ‘factor Guterres’ funcionaria pela sua presença mas também funciona pela sua ausência. Teria, é claro, o efeito imediato de transformar a disputa presidencial numa… disputa. Marcelo Rebelo de Sousa ganharia um concorrente à altura de o desafiar, o que tornaria o debate eleitoral seguramente mais rico, interessante e profundo.

Sem deixar de ser quem é, talvez o professor se visse obrigado a ter cartazes e a não se bastar como cabeça-de-cartaz. E perante um duelo entre duas figuras fortes, o debate teria forçosamente de se centrar mais nas ideias do que nas personas. Marcelo insistiria no seu voo suprapartidário se Guterres mobilizasse a sua candidatura na máquina partidária?

Até o "fixe" teriam que disputar, embora o afecto genuíno que liga Marcelo ao cidadão comum seja difícil de bater.
Sampaio da Nóvoa, dos primeiros a avançar, talvez fosse o primeiro a recuar e Maria de Belém nem avançaria.

À esquerda, o sapo seria um pitéu gourmet, se isso significasse uma derrota do candidato "da direita" logo na primeira volta. E o PS seria todo confetti e unidade em torno daquele que foi, desde sempre, o único nome verdadeiramente desejado pelos socialistas. Tudo isto se Guterres tivesse querido. Mas Guterres não quis.

Esta campanha presidencial foi como foi, não porque estamos a viver um ‘tempo novo’ ou porque existe uma nova forma de fazer política, mas simplesmente porque Marcelo Rebelo de Sousa não teve um ‘challenger’ à sua altura. Senão, teria sido bem diferente. À moda antiga.
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