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Luís Campos Ferreira

Fidel, Cuba e Portugal

De Fidel, fica-nos a memória de uma vida dedicada à sua Cuba.

Luís Campos Ferreira 27 de Novembro de 2016 às 01:45
Algo de essencial falha numa revolução quando nem o tempo nem os homens conseguem curar as feridas da inconciliação. Dito isto, não posso deixar de sentir a morte de Fidel Castro como a partida do último dos românticos políticos, forjado na Guerra Fria do pós-Segunda Guerra.

Fidel, o guerrilheiro que acabou com o regime violento de Fulgencio Batista, vem na linha direta do herói nacional cubano José Martí, o mártir da independência de Cuba em relação a Espanha, nos finais do século XIX. Foi Martí quem disse que os Estados Unidos tiraram Espanha de Cuba e que depois se teria de tirar os americanos de Cuba.

Fidel, muitas décadas depois, cumpriu esse sonho, com as consequências que se conhece. Menos conhecida será a ligação de Fidel a Portugal, influenciada por ser filho de um galego de Lugo. Assim como a ligação entre Portugal e Cuba, bem anterior a Fidel. Eça de Queiroz foi cônsul em Havana no século XIX, e em 1929 formalizaram-se as relações diplomáticas.

As relações perduraram e Portugal assumiu-se contra o embargo àquele país. Enquanto governante, aprofundámos esta amizade entre os dois povos, inaugurando em Havana ‘vieja’ uma estátua de Luís de Camões. De Fidel, não nos fica a referência ideológica, mas fica-nos a memória de uma vida dedicada à sua Cuba e às suas convicções.
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