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Luís Campos Ferreira

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Em 70 anos da ONU apenas homens ocuparam o cargo máximo. Mas não é essa a questão.

Luís Campos Ferreira 18 de Agosto de 2016 às 00:30
Ban Ki-moon sugeriu esta semana que o próximo secretário-geral da ONU deve ser uma mulher. Não é o primeiro a dizê-lo, mas os princípios de neutralidade e imparcialidade deveriam tê-lo aconselhado a não manifestar publicamente o apoio a qualquer candidato, mulher ou homem.

A igualdade e a paridade dos géneros são muito importantes, sem dúvida, e em 70 anos de ONU apenas homens ocuparam o cargo máximo. Mas essa não é a questão, nem é assim que se ganha a batalha da igualdade entre géneros.

O que está em causa é escolher a pessoa mais apta e mais bem preparada para a missão. E até agora, a julgar pelas duas votações já realizadas pelo Conselho de Segurança, o ex-primeiro-ministro português é claramente o favorito. Ora, se as mulheres não podem ser prejudicadas apenas por serem mulheres, os homens também não o devem ser apenas por serem homens.

Na liderança da ONU, o importante é saber que mulheres e homens têm iguais e efectivas oportunidades de se candidatarem ao lugar. E têm, como se vê. Depois, o que deve falar mais alto – a única coisa que deve falar, aliás – são as capacidades e as competências de cada um e a sua adequação ao cargo.

Guterres tem demonstrado uma preparação absolutamente notável, além de possuir capacidade de comunicação extraordinária e currículo ímpar, que inclui o Alto Comissariado para os Refugiados. Mas há mais: Ban Ki- -moon podia, em dez anos de mandato, ter posto em prática a paridade entre homens e mulheres que agora defende, mas nunca nomeou uma vice-secretária-geral.

Já Guterres, por onde passou, teve sempre essa preocupação. Seja como for, ganhou o apoio unânime dos portugueses, sem olhar a géneros, credos, clubes ou partidos.

E também dos países da CPLP, o que a mim, que fui secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, me enche de satisfação.
Ban Ki-moon ONU Conselho de Segurança Alto Comissariado para os Refugiados António Guterres
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