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Luís Campos Ferreira

Que País somos?

Estado terá possibilitado um abominável esquema de tráfico de crianças.

Luís Campos Ferreira 21 de Dezembro de 2017 às 00:30
Que País é este onde foi possível que crianças - não se sabe quantas - tivessem sido retiradas às mães biológicas e entregues a uma instituição para depois serem adoptadas ilegalmente, noutros países? O caso é tão grave e chocante que ninguém se pode esconder atrás do tempo que já passou para que o assunto permaneça na obscuridade e sem respostas.

O caso ter-se-á dado há cerca de duas décadas, envolve directamente uma conhecida igreja e, mais uma vez, só é conhecido graças ao trabalho desenvolvido pelos jornalistas. Porque mais uma vez, algures, o Estado terá falhado.

Falhado porque não viu, não soube ou não agiu. E assim, terá possibilitado um abominável esquema de tráfico de crianças e de roubo de identidade, de que foi cúmplice por omissão. Independentemente do tempo decorrido, independentemente das prescrições dos factos ocorridos, a responsabilidade política não prescreve. E, por isso, para além da investigação que a Procuradoria-Geral da República já abriu, era bom que os governantes da altura também fossem ouvidos nas instâncias próprias, como o Parlamento, uma vez que tinham responsabilidades de tutela, nomeadamente na Segurança Social.

Por exemplo, porque é que a referida casa de acolhimento estava a funcionar, não estando licenciada à época dos factos relatados, conforme já confirmou o próprio Instituto da Segurança Social. Estas e outras questões devem ser respondidas a seu tempo, quando for útil.

O pior que se pode fazer é fingir que nada aconteceu àquelas crianças e às famílias de onde foram retiradas. É desumano ignorar o destino dessas pessoas. Não é tarde para se tentar perceber o que se passou. Até porque não sabemos se casos destes ainda acontecem no presente.

O Estado já vacilou mas não pode vacilar agora e tem que colocar todos os seus recursos ao serviço da verdade deste caso.
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