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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Octávio Ribeiro

In dubio pro crianças

Em caso de dúvida, a comunidade deve proteger a criança .

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 20 de Fevereiro de 2016 às 00:32
É fácil lançar sentenças sobre um caso como este. Um ministro recente poderia até iluminar tese sociológica bem mais rica do que se assistisse a um concerto do Tony Carreira. Nesta tragédia, as pessoas não estão todas do mesmo lado a vibrar com a voz do artista. Aqui discute-se ao nível do futebol. A pobre coitada estava doida varrida por causa do bandido do marido. O pobre coitado ficou sem as filhas porque ela se quis vingar dele e resolveu matá-las. Ela afogou-as a sangue-frio. Mais frio que a água naquela noite gélida de inverno. Com mais calma do que o mar, naquela noite sem ondas. Enfim, a morte brutal apaixona os vivos. Quanto mais emocionante, mais atraente.

Neste penálti duvidoso em ambas as áreas, o que importa é refletir um pouco sobre o nosso sistema de proteção às crianças em risco. Quem observa o sistema há mais de uma década a partir das páginas do Correio da Manhã, tende a concluir que se dá demasiado espaço ao critério discricionário de técnicas e técnicos. E estes, quando a sua avaliação falha de forma trágica, escudam-se na falta de meios.

Talvez seja necessária uma qualquer norma clarificadora sobre o que quer dizer "superior interesse da criança". Em caso de dúvida, a comunidade deve proteger, antes de tudo, acima de tudo, a vida das crianças.

Depois, avalie-se com calma e resmas de papel o resto.
Tony Carreira Correio da Manhã questões sociais Caxias tragédia família
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