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Padre António Rego

A paixão da palavra

O veículo da palavra é um privilégio que faz de um país pequeno uma grande Pátria.

Padre António Rego 7 de Julho de 2017 às 00:30
Desde jovem aprendi que não se pode mergulhar na beleza da nossa língua sem passar, ainda que brevemente, pelo dizer criativo e rigoroso do padre António Vieira. Poderá ser uma moda ou um pretensiosismo falar agora dele, mas o encontro com a sua palavra fluente e lídima desdobrada em muitas palavras nunca deixa de nos arrebatar.

Seguimos com gosto o tom barroco de propor, desenvolver e concluir cada tema, dentro dum estilo e duma época que não são os nossos, mas nos deslumbram nas expressões que revelam verdadeira paixão pelas causas que defende. A primeira é o Evangelho. E, com Ele, a dignidade da pessoa, inscrita em diferentes culturas. Com uma inequívoca beleza.

A nossa língua é um rio que estendeu os braços aos pontos mais insólitos do planeta. Passou por onde nós passámos e ficou depois de termos partido. Não há muitos países que tenham sido veículo tão forte da transmissão do Evangelho como foi "a nossa pátria".

Temos, por isso, orgulho virtuoso de, em muitos lugares da terra, podermos encontrar instrumento tão forte de comunicação. Nem sempre celebramos, humildemente que seja, a grandeza que constitui o mapa do mundo com a nossa escrita e os nossos dizeres. E esse veículo da Palavra é um privilégio que faz dum país pequeno uma grande pátria da comunicação que se atravessa e confunde com a proclamação da Boa Nova que um dia nos chegou. E hoje nos leva a muitos recantos da terra.

"Felizes são os pés dos que anunciam a Palavra." Feliz a língua que continua a dar a grande notícia da vinda de Jesus a muitos povos e nações. Não é imperialismo espiritual. Temos gosto em venerar a nossa mãe. E a obrigação de a respeitar. No caso, a língua portuguesa. É uma das grandezas da minha pequena biblioteca - uma biblioteca é sempre pequena - conter, sem deixar adormecidos - os sermões do padre António Vieira.
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