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Padre António Rego

Nem tudo o vento levou

O povo, em Fátima, soube também fazer silêncio. Em oração.

Padre António Rego 15 de Maio de 2017 às 00:30
Na voragem das notícias, os acontecimentos devoram- -se uns aos outros. Parece que nada é eternamente importante e tudo se dilui nas nossas curtas existências. Aqui começam as dúvidas: se as existências são curtas ou longas.

Medir o tempo é mais que um ato técnico. Tem a ver connosco. Emprestamos- -lhe a nossa avaliação e julgamo-lo pelo compêndio de história que conseguimos construir. Por isso, um minuto por vezes parece uma eternidade e um longo tempo se torna fugaz.

Lembrei-me disto e do Papa Francisco em Fátima. Dos tempos longos e breves que envolveram a sua chegada, celebrações e partida. E do dia seguinte com acontecimentos festivos ou trágicos. Tudo cabe dentro do mesmo noticiário.

O alinhamento das notícias é um fato feito à nossa medida, ou somos manipulados pelo que alguém considera acontecimento ou insignificância. Volto a Fátima, aos aparentes tempos mortos que afligiam os comentadores. E os longos tempos de silêncio que o Papa Francisco criou – não vinha nos livros - transformando-os em gesto de oração que acontece na ausência da palavra, do canto, da vibração coletiva.

Apenas isso: silêncio, pausa em que falamos com Deus, onde passa o nosso passado e futuro e onde o espírito encontra mais luz. O povo, em Fátima, soube também fazer silêncio. Em oração.
Fátima Papa Francisco Deus questões sociais artes cultura e entretenimento
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