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Pedro Santana Lopes

Desamparar a loja

Julgo que não tenho qualquer amigo com grandes financiamentos na Caixa.

Pedro Santana Lopes 6 de Janeiro de 2017 às 01:46
Isto das políticas e das opiniões publicadas tem muito que se lhe diga. Eu já sabia que, perante a heterodoxia comunicacional de António Domingues, iria surgir algum espírito propenso à sedução por impressões calvinistas a dizer que tinha sido uma excelente escolha.

Eu começo por reafirmar o que já disse publicamente: peço desculpa pelo desconhecimento, mas nunca tinha ouvido falar de António Domingues. Faço mais uma reafirmação de outros juízos que formulei publicamente: se António Domingues fez um acordo antes de assumir funções, ele tinha toda a razão em não querer continuar se esse mesmo acordo não fosse cumprido.

Portanto, não conhecia a pessoa e defendi a sua reação na altura própria. Agora, tudo tem os seus limites e, por isso, utilizando termos ou expressões mais ou menos populares, aquando das mais recentes notícias destes últimos dias, sobre novos episódios do folhetim António Domingues, disse que parecia uma assombração e que estava na altura de "desamparar a loja".

A razão é simples: é que a sua saída já era um facto consumado, já todos pensávamos que Paulo Macedo ou já estava em funções ou estava para entrar. Agora, outra vez a hipótese da continuação de Domingues ou as zangas de Domingues com o ministro das Finanças? Utilizando outra expressão popular, "já demos para esse peditório".

Devo também dizer que não ouvi a audição de António Domingues na comissão de inquérito à CGD. Não sei se foi magnífica, até admito que sim. Como continuo a acreditar que seja uma pessoa muito competente.

Mas eu não defendo que essa história acabe, de uma vez por todas, por causa de alguns poderosos que têm financiamentos avultados na Caixa. Aliás, tenho dito várias vezes o que penso sobre algumas decisões inacreditáveis nessa matéria na última década.

Não defendo que acabe essa novela para proteger seja que poderosos forem que estariam, eventualmente, incomodados com o espírito justiceiro de António Domingues, que pretendia pôr tudo na ordem. Calculo que ele já fosse assim no BPI e, se era, tenho pena que a sua fama nunca tenha colado anteriormente. Eu defendo que esta novela acabe por causa de Portugal, que tem mais com que se preocupar.
Sei bem que quem julga o processo de decisão dos outros olhando-se ao espelho pensa que tudo se deve a interesses.

Pela minha parte, julgo que não tenho qualquer amigo, nem próximo, com grandes financiamentos na Caixa. Mas fica uma nota: no meu dia a dia, muito, muito ocupado, nem enquanto advogado, nem principalmente como Provedor da SCML, ocupei tempo a falar em todos estes meses sobre António Domingues. O que penso e o que digo decorre, tão-só, do que leio e do que escuto. É simples e é bom ser assim, porque nos permite sorrir de desdém perante os complexados da vida.

Dia dos Reis em todo o país
Hoje é Dia de Reis e, um pouco por todo o País, são inúmeras as iniciativas que assinalam esta data. Por exemplo, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, há atividades para crianças logo pela manhã, já na Câmara Municipal de Beja, na Reitoria da Universidade do Porto, na Praça do Sertório, em Évora, e nos Paços do Concelho em Palmela vão cantar-se as Janeiras. Também em Aviz é possível ouvir o Cantar dos Reis. Em Lisboa, na Wonderland, vai ser eleito o melhor Bolo-Rei, enquanto o Teatro Aveirense, em Aveiro, e o Centro Cultural das Caldas da Rainha recebem os tradicionais Concertos de Reis. Apenas alguns exemplos, dos muitos eventos que hoje se realizam pelo País fora.

Será só do penálti?
O penálti em Setúbal pode ter sido mal assinalado ou não. Houve toque mas é duvidoso. A verdade é que, em caso de dúvida, as decisões têm sido genericamente contra o Sporting e, ao minuto 92, ainda é mais difícil. Mas fora o penálti, o Sporting empataria 1-1 e a exibição deixaria alguém satisfeito? Sinceramente, há ali situações que só o mercado de janeiro, nuns casos, ou o banco de suplentes, noutros, é que resolvem. E jogar com vários suplentes quando se quer mesmo ganhar fará sentido?
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