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Pedro Santana Lopes

Factos e demissões

Depois de obtida a demissão do ministro, as coisas como que abrandam.

Pedro Santana Lopes 7 de Julho de 2017 às 00:30
Gostava de expor a minha posição sobre responsabilidade política. Eu entendo que um membro do Governo se deve demitir quando fica provado que é responsável por algo de errado. Já houve um ministro que se demitiu por causa de uma anedota muito infeliz. O motivo era caricato, mas foi ele que praticou o ato. Houve um ministro que fez um gesto feio num debate parlamentar. Foi demitido. Mas aí, foi ele o responsável pelo ato. Isto são responsabilidades quase pessoais. Têm consequências políticas, mas são erros pessoais.

Quando se fala hoje em dia de responsabilidades políticas, pressupõe-se que se deve assumir as responsabilidades mesmo que os erros sejam de outros. Confesso que não estou de acordo. Se ficar provado que um ministro ou um secretário de Estado praticou um ato que contribuiu para uma situação grave, então deve sair. E a mesma coisa se diga quando não tomou uma decisão que era importante para evitar o mal.

Agora, quando alguém abaixo na cadeia hierárquica dá, por exemplo, uma ordem que não é do conhecimento do ministro, nem podia ser, é o ministro que tem de pagar pela ordem dada por outro? No trágico caso dos incêndios, se alguém deu uma ordem errada a automobilistas, será a ministra a responsável? Mas se a secretaria-geral de um Ministério não tiver alternado no tempo a reparação das suas únicas unidades existentes que podiam melhorar o funcionamento da operação reativa, aí não será já responsabilidade política?

Obviamente que não há ciências exatas nem limites absolutos nesta matéria. Só que, e principalmente em situações de gravidade grande, lutar pela demissão de um ministro ou de um secretário de Estado, em minha opinião, é contribuir para que não se esclareça a verdade toda no momento adequado. Não estou com isto a dizer que seja essa intenção de quem faz esse tipo de propostas, mas qualquer pessoa compreende que quando é isso que fica em questão, depois de obtida a demissão do ministro, as coisas como que abrandam e o ímpeto na procura dos motivos do que aconteceu enfraquece.

Eu já tinha esta posição no Governo anterior e nos governos antes desse. O que me choca é ver agora quem exigiu a demissão de Maria Luís Albuquerque, Vítor Gaspar, até de Pedro Passos Coelho, antes do esclarecimento dos factos que eram referidos, não ter agora a mesma posição.

Trabalhar depressa e bem no apuramento da verdade, no esclarecimento das verdades oficiais contraditórias que têm sido difundidas. Depois de esclarecer ao certo a verdade, então que haja consequências. Fazer ao contrário, é ocultar as verdadeiras responsabilidades.

Cinema ao ar livre em Monserrate 
Em todos os fins de semana deste mês de julho, o Palácio de Monserrate, em Sintra, vai exibir 12 obras-primas do cinema que podem ser vistas ao ar livre nos jardins daquele espaço. A programação da iniciativa Esplendor na Relva está a cargo do João Mário Grilo, num autêntico anfiteatro natural, com o relvado como plateia, complementado por uma moldura arquitetónica igualmente única no nosso país e que acrescentará novas dimensões ao conceito de ‘ir ao cinema’.

Na área do teatro, já está a decorrer o 34º Festival de Almada, que conta com 26 espetáculos, sendo que 13 são produções nacionais, entre as quais estão cinco estreias. O festival é organizado pela Companhia de Teatro de Almada e decorre em diferentes espaços culturais daquela cidade.

Terceiro lugar
Em minha opinião, o resultado de Portugal na Taça das Confederações é muito bom. Não nos podemos agora habituar à ideia de que, seja em que prova for que participemos, a vitória é certa. Ficar em 3º no meio daquele grupo de elite, já em final de época, foi uma grande proeza. No prazo de um ano sermos campeões europeus e terceiros nesta competição, é memorável. 

Pedro Santana Lopes opinião
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