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Pedro Santana Lopes

Regular sim, exagerar não

A regulação não pode significar condicionamento excessivo ou exagero.

Pedro Santana Lopes 19 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Causou natural surpresa a notícia de que a Autoridade da Concorrência poderia chumbar os acordos das principais operadoras de comunicações com os clubes do futebol. Certamente que todos desejariam que com o advento das entidades reguladoras os mercados se tornassem mais claros e com regras mais fáceis de apreender por todos. Fique desde já claro que se considera obviamente um progresso a criação legislativa desse tipo de entidades que visam pôr ordem nos diferentes setores. Umas são mais antigas e outras menos. Mas quer numas quer noutras, por exemplo, no setor financeiro, as experiências mais recentes têm sido bem amargas quanto àquilo que se consegue entender.

O setor financeiro, esse, que inclui quer a área bancária quer a área seguradora, sendo que esta não tem estado sujeita a tanta exposição, mas que pode vir a suscitar várias interrogações. Nas várias áreas de atividade, sucedem-se as notícias polémicas e as reações sobre confrontos e divergências quanto àquilo que é a verdadeira concorrência.

Na matéria agora referida, o facto de essas operadoras terem decidido investir no futebol, e não só uma das operadoras, foi considerado uma excelente notícia para um setor quase idolatrado em quase todo o mundo.

É sabido como em Portugal se têm produzido autênticos milagres em termos de competitividade. Ainda esta semana o treinador do Sporting realçava a diferença de meios, de arcaboiço financeiro, entre as equipas portuguesas e as equipas de outros países. São vários os problemas conhecidos no futebol português, quer ao nível de clubes quer ao nível de seleções. Chegar a uma final europeia, seja em que competição for, seja em seniores, nos sub-21, sub-20, sub-19 ou noutros escalões inferiores, é uma autêntica proeza, porque, na verdade, não é fácil sobrarem recursos para os clubes investirem na formação.
Quando tudo parecia, ou parece, encaminhar para um quadro que satisfaça as pretensões da generalidade dos clubes envolvidos, eis que aparece uma notícia "desmancha-prazeres".

Procurei ler os fundamentos e, francamente, não consegui encontrar texto nenhum onde fossem avançadas razões desenvolvidas e sólidas que justifiquem uma eventual decisão desse teor.

É referido no argumento principal da oposição por parte da Autoridade da Concorrência a exclusividade dos conteúdos, que até pode ser compreensível. Importa, porém, trabalhar no sentido de conseguir soluções equilibradas que não inviabilizem aquilo que pode ser o sustentáculo de um novo ciclo mais estruturado e mais sustentável do futebol em Portugal.

A regulação não pode significar condicionamento excessivo ou exagero nas atitudes proibicionistas.

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Imperdível: World Press Photo - Drama dos refugiados em foto
Foram conhecidos ontem os vencedores da edição World Press Photo 2015 (WPP), com destaque, naturalmente, para o primeiro prémio obtido pelo repórter português, Mário Cruz, na categoria Temas Contemporâneos. A foto, chamada ‘Talibés, Modern-day Slaves’, retrata o problema da escravatura infantil no Senegal e na Guiné-Bissau. Já quanto ao principal prémio do WPP 2015 foi para o fotógrafo australiano, Warren Richardson, com a foto ‘Hope for a new life’, onde aborda o drama dos refugiados que têm chegado à Europa. É uma foto impressionante, que mostra um pai a entregar uma criança a outra pessoa através de um buraco de uma vedação de arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Vale a pena ir ao site e ver os outros premiados, na página http://www.worldpressphoto.org/.

Canto Curto: Espanha - Magia do Barça
Para além do penálti que Messi oferece a Suárez, os outros golos e as jogadas do Barcelona frente ao Celta constituem um hino ao futebol. Merece realce um livre direto marcado por Messi, que confirma a suprema arte do jogador. A generalidade dos golos foi impressionante e levou os comentadores ao delírio pela exibição de uma equipa que vai demonstrando ser a melhor do mundo e, quer se queira quer não, está à frente do Real Madrid. Não falamos de Messi e de Ronaldo, falamos do Barcelona e do Real.

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