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Pedro Santana Lopes

Sem surpresa e meia surpresa

O facto de Nuno Melo não se candidatar abre portas a um debate sobre o passado.

Pedro Santana Lopes 15 de Janeiro de 2016 às 01:58
Aconfirmação de que Assunção Cristas é mesmo candidata à liderança do CDS não é surpreendente.

E a decisão de Nuno Melo não se candidatar constitui, em certa medida, uma surpresa face às informações e notícias que tinham sido veiculadas nos últimos dias. Percebe-se que qualquer dos dois gosta da intervenção política e daquilo que a vida pública exige. Têm causas, gostam de lutar por elas, são determinados e dedicados aos projetos em que se envolvem.

Nuno Melo tem sido sempre um parlamentar e dirigente partidário e nunca foi chamado por Paulo Portas para responsabilidades governativas. Teve, no entanto, a distinção conferida pelo partido de encabeçar as listas ao Parlamento Europeu. Mas a verdade é que estes anos nunca lhe proporcionaram construir uma imagem com o chamado sentido de Estado. Não é que não o tenha, mas a sua imagem é mais a de um combatente, a de um lutador, a de um polemista.

Ninguém esquece a forma como se destacou na comissão de inquérito ao BPN. Mas depois disso, para além dos debates televisivos e de campanhas eleitorais, o seu palco tem sido longe de Portugal, em Bruxelas ou em Estrasburgo.

Já de Assunção Cristas era e é pouca a dúvida sobre a capacidade como governante e a vontade/ambição de liderar, de comandar. Como se recordarão, já antes das eleições do ano passado, umas declarações de Assunção Cristas sobre a eventual saída de Paulo Portas causaram algum incómodo no Largo do Caldas.

O facto de não haver confronto entre Assunção Cristas e Nuno Melo poderá abrir as portas para que apareça outro candidato fora do chamado "portismo". Se se tivesse confirmado a possibilidade anunciada de uma disputa entre os dois, haveria, naturalmente, menos espaço para um terceiro.

Ao fim e ao cabo, e por ironia, o facto de Nuno Melo não se candidatar abre as portas a um debate maior sobre o que representou a liderança de Paulo Portas e em que medida deve ser feita para o futuro uma demarcação em relação a esse tempo. Se os dois tivessem sido candidatos, o debate sobre o futuro discutiria menos o passado.

Penso que o principal para Paulo Portas é não deixar, seja de que modo for, que o seu nome seja envolvido em eventuais disputas que surjam de candidatos para a liderança do partido ou para outros órgãos. Paulo Portas pode dizer agora – e não o disse – que não quer saber mais da vida política. Mesmo que o dissesse ninguém acreditaria, como ninguém acreditaria com outros que têm anos e anos de intervenção pública. Até pode acontecer que a vida profissional o desperte para novos interesses e que passem a ser os principais nas suas opções. Mas é preciso passar muito tempo para que as pessoas se convençam disso, porque todos conhecem o modo como intimamente vive tudo o que diz respeito à política.

Imperdivel - Ensaios de pomar sobre bocage
No âmbito das comemorações dos 250 anos do nascimento do poeta Bocage, que a Câmara de Setúbal está a organizar desde o ano passado até ao próximo mês de setembro, acabou de ser inaugurada uma exposição com ensaios de Júlio Pomar precisamente sobre aquela figura maior da poesia portuguesa.

Segundo a organização, trata-se de 13 desenhos, a maioria criada em marcador sobre papel ao longo do ano em que preparou as obras que viriam a integrar as paredes da estação do metro do Alto dos Moinhos. A exposição pode ser vista até fevereiro na Galeria Municipal. Num outro registo, não podia deixar de fazer uma referência ao desaparecimento de um dos maiores símbolos da cultura pop, David Bowie. Apesar de ter partido, a sua música ficou e não há melhor tributo ao artista do que ouvir a sua obra.

Canto Curto - Apostas no placard
Merece ser assinalado o volume de verbas que futebol, basquetebol e ténis recebem como percentagem – estipulada na lei – das apostas desportivas no novo jogo Placard da SCML. No 4º trimestre de 2015, só para a Federação Portuguesa de Futebol, foram mais 1,3 milhões de euros, e para a Liga de Futebol quase 800 mil. É justo que os clubes recebam por apostas que usam os seus nomes e que são feitas em função dos jogos em que participam.
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