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Pedro Santana Lopes

Voltas que o mundo dá

Alguma vez pensaríamos que teríamos as nossas empresas controladas por acionistas do Brasil, Angola ou China?

Pedro Santana Lopes 19 de Dezembro de 2014 às 00:30

Escrevi ontem um artigo no ‘Jornal de Negócios’ em que falei sobre o facto de o PSD ter maior dificuldade do que o PS em se relacionar com as grandes empresas ou com os grandes grupos económicos em Portugal. Como lá escrevi, nada tinha de recriminatório para qualquer dos dois caminhos: PPD/PSD sentir-se mais próximo das PME e o PS admitir como positivo o caminho de puxar por grandes empresas portuguesas e por grandes investimentos para serem alavancas do desenvolvimento económico. Isto não significa, obviamente, que o PS não se preocupe com as PME e que o PPD/PSD esconjure as grandes empresas.

Mas, sabemos todos, na prática tem sido um pouco assim. Esta matéria do papel dos agentes económicos tem aparecido mais evidente e suscitado mais reflexão por causa dos trabalhos da comissão de inquérito do BES. Já lá depôs José Maria Ricciardi, que é presidente do BESI, que entretanto foi vendido a um grupo chinês, e ontem também esteve horas a depor Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BESA e detentor de posições na estrutura acionista de várias empresas em Portugal. Vem esta nota a propósito de outra questão que se junta ao modo de lidar com os vários agentes económicos, independentemente da sua dimensão: a diversificação das ‘dependências’ ou das relações económicas. Portugal é hoje um país muito diferente do que era há três anos no que respeita aos seus centros de decisão. A EDP tem maioria chinesa, a Fidelidade também, a Cimpor é brasileira, a Tranquilidade foi vendida a um fundo de investimento internacional de base americana, o BESI foi vendido a outro grupo chinês, a PT passou a ser controlada por uma empresa brasileira e agora passará para um grupo francês. E vamos ver para onde irão a TAP e o Novo Banco. Aqui há dez anos alguma vez pensaríamos que teríamos as nossas principais empresas controladas por acionistas oriundos do Brasil, de Angola ou da China? E não pensávamos por qualquer discriminação, mas sim porque os termos das relações económicas existentes nessa época em nada o permitiam antever.

É também por isto e por muitas outras razões que o tema das relações dos principais partidos portugueses com as malhas do tecido económico é muito relevante. É naturalmente um tema que merece sequência.

Um fim de semana de concertos de Natal em Lisboa

Os tradicionais concertos natalícios são eventos imperdíveis e, por isso, há que aproveitar os últimos espetáculos da edição Natal em Lisboa 2014, que termina no domingo. Hoje à noite, no Cinema São Jorge, músicos do Conservatório Nacional vão interpretar várias obras barrocas, mas também de outros períodos. Amanhã à noite, a Banda da Armada e o Coro da Escola Superior de Música de Lisboa vão cantar um conto de Natal na Igreja de São Domingos, evocando grandes obras de compositores célebres. No domingo à tarde, é a vez de o São Luiz receber a Orquestra Metropolitana e o Coro Sinfónico de Lisboa para interpretarem obras sacras de Mozart. Todos os concertos são promovidos pela EGEAC e gratuitos, embora a entrada livre esteja sujeita à lotação da sala.

Jovem Bernardo Silva deu vitória ao Mónaco

Foi confrangedor constatar que no jogo FC Porto-Benfica dos 22 jogadores que iniciaram a partida só um era português. Não faz sentido. O FC Porto sempre deu grandes valores ao futebol português e o Benfica tem ultimamente sublinhado a importância da formação. Por coincidência, no mesmo fim de semana o jovem Bernardo Silva, emprestado pelo Benfica, deu a vitória ao Mónaco, frente ao Marselha. Há aqui qualquer coisa que não faz sentido. E numa altura em que os presidentes dos dois clubes referem que o futebol português esteve há semanas em risco de colapso, bem podem todos pensar neste exemplo a propósito do que há para mudar.

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