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Rui Hortelão

A política do opaco

Acabará Marcelo com a cultura da falta de transparência?

Rui Hortelão 5 de Setembro de 2016 às 01:45
Fernando Rocha Andrade começou por desvalorizar a notícia da SÁBADO: "Não consideramos, no geral, que exista qualquer conflito de interesses". Mas mudou, logo no dia em que esta foi publicada: "Para que não restem dúvidas sobre a independência do Governo e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o secretário de Estado contactou a Galp no sentido de reembolsar a empresa da despesa efetuada".

De boa fé, os media titularam ‘Rocha Andrade devolve dinheiro de viagem à Galp’ (CM), ‘Rocha Andrade devolve à Galp preço das viagens ao Euro2016’ (Jornal de Negócios) ou ‘Secretário de Estado reembolsa Galp por duas viagens pagas ao Euro2016’ (Expresso).

Há dias, após buscas do Ministério Público à empresa e do Presidente da República dizer que o caso "não é bom para a política", Rocha Andrade recusou fazer prova do reembolso.

A devolução já não alterava o essencial – tutelava um conflito fiscal Estado-Galp de mais de 100 milhões quando viajou – mas o culto da falta de transparência devia ter limites.

Já se sabe que o prometido código de conduta sem existência à vista ou a discussão anunciada para o regresso ao Parlamento são apenas manobras para deixar tudo na mesma. Resta a esperança de que Marcelo Rebelo de Sousa queira ser diferente.
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