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Rui Hortelão

A culpa dos outros

João Ferreira do Amaral também iliba Ricardo Salgado.

Rui Hortelão 18 de Janeiro de 2016 às 00:30
João Ferreira do Amaral era assessor de Mário Soares, em Belém, quando Portugal negociou a adesão à CEE. Já nessa altura era contra a moeda única.

Manteve-se coerente e, há anos, chegou inclusive a afirmar: "É claro que vamos sair do Euro." Um dia talvez venha até a ter razão, mas é o próprio quem fere a credibilidade que conquistou, ao dizer que a intervenção do Estado nos bancos privados é culpa da moeda única. Tudo porque o sistema europeu torna impossível a proteção simultânea de depositantes e contribuintes. Nada mais verdadeiro, a premissa é que está errada. Se o Banco de Portugal pudesse enfrentar falências bancárias com emissão de moeda, os principais vírus que liquidaram BPN, BPP, BES e Banif mantinham-se vivos: má gestão, fraude, cumplicidades, passividade dos reguladores, favores aos amigos, etc. As regras europeias são para todos, mas ninguém foi tão penalizado como os portugueses com os devaneios dos que lideraram e fiscalizaram a nossa banca nos últimos anos. Ignorar tudo isto chega a ser hilariante e revela uma estranha condescendência com os que afundaram os bancos e os que, tendo o poder para o evitar, nada fizeram. E o grave é que João Ferreira do Amaral está longe de estar sozinho nesta conveniente posição.
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