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Rui Hortelão

Compensa não pagar

Como já dizia António Guterres, é só fazer as contas.

Rui Hortelão 10 de Outubro de 2016 às 00:30
Lendo apenas as siglas, não há como desconfiar: RERD e PERES. O primeiro lançado por Pedro Passos Coelho, em 2013. O segundo apresentado agora por António Costa. Se são tão diferentes, siglas e governos, de onde terá surgido a ideia de que se trata de coisas muito, muito parecidas? E será coincidência, hoje como há três anos, falar-se de ‘perdão fiscal’? Perguntar aos envolvidos não resolve, porque todos, sem exceção, dizem hoje o contrário do que disseram antes. Salva-se o Bloco de Esquerda, o único que diz a mesma coisa, mas para defender coisas diferentes.

Tentemos, pois, desvendar o mistério no nome com que Passos e Costa batizaram as suas criações, cruzando-as: Programa [Regime] Especial [Excecional] de Redução [Regularização] do Endividamento [Dívidas] ao Estado [Fiscais e à Segurança Social]. Com nomes tão parecidos, é evidente que não podem ser coisas tão diferentes. E mesmo os detalhes que as distinguem não chegam para as diferenciar no mais essencial: premiar os infratores, sem sequer dar a mínima compensação aos cumpridores. E assim sendo, chamem-lhe o que quiserem. Com incentivos destes, compensa não pagar impostos. Como já dizia o agora tão popular António Guterres, é só fazer as contas.
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