Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
5
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Hortelão

Imunidade e justiça

A diplomacia não pode sobrepor-se aos direitos dos cidadãos.

Rui Hortelão 22 de Agosto de 2016 às 01:45
A confirmação de que os dois filhos do embaixador do Iraque em Portugal fugiram do nosso país é a segunda pior notícia que podemos ter neste caso.

A primeira, claro, é o jovem de 15 anos agredido não ser capaz de sobreviver ao coma induzido a que teve de ser sujeito na sequência das agressões.

Além da reflexão sobre a brutalidade do crime de Ponte de Sor – há diversos relatos de testemunhas sobre terem pisado a cabeça do jovem com os dois pés juntos – e da indiferença da sociedade atual, é muitíssimo relevante que o Governo não facilite na condução do caso.

Deixá-los fugir será inadmissível e inexplicável, pois num Estado de Direito não há diplomacia que possa sobrepor-se aos mais elementares direitos dos cidadãos. Para mais, quando, neste caso, se sabia desde início o estado grave em que foi encontrada a vítima.

A confirmar-se que as suspeitas são fundadas, o pedido de levantamento de imunidade diplomática deve avançar o quanto antes. Bem como, se houver algum equívoco, também deve ser devidamente esclarecido – para evitar que os portugueses fiquem com ideias erradas sobre os iraquianos, ou outros, por influência deste triste episódio.
imunidade diplomática Iraque embaixador Portugal Ponte de Sor Governo Justiça agressões violência
Ver comentários