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Rui Moreira

Lisboa 181 – Porto 5

Com o seu eleitoralismo bacoco, Rui Moreira incomoda tudo e todos com mais esta questão menor.

Rui Moreira 11 de Setembro de 2016 às 00:30
A Direção-Geral da Qualificação dos Trabalhadores em Funções Públicas abriu recentemente uma formação generalista, de nível avançado, em gestão pública. Esta ação possibilita a aquisição de conhecimentos para o exercício de funções técnicas superiores e dirigentes na Administração Pública. Vai na 16ª edição. Este curso "é um caminho paralelo ao do procedimento concursal, tendo em vista o recrutamento de trabalhadores" para postos de trabalho superiores e dirigentes. É o que diz a portaria que o regulamenta.

O curso foi aberto a todos os funcionários públicos, independentemente da sua origem geográfica, e foram constituídas turmas em Lisboa e no Porto, como parece bem a qualquer alma que preconize a descentralização. Mas um olhar atento aos lugares de destino destes formandos, que se transformarão brevemente em dirigentes da função pública, revela outra realidade. É que o inquérito promovido pelos competentes serviços estatais no âmbito deste curso, que mais não é do que um "caminho paralelo" para o recrutamento de dirigentes, já concluiu pelo destino destes formandos. Em 200 vagas, o distrito de Faro receberá um dirigente. Aveiro, Évora, Leiria e Santarém, dois cada.

Coimbra e o Porto, onde uma das turmas está a funcionar, acolherão cinco. E os restantes 181 formandos, onde serão integrados? A resposta a esta questão é desnecessária. O País habituou-nos e habituou-se ao centralismo.

E, agora, que está vacinado, uma crónica como esta parecerá à generalidade dos comentadores do regime, apenas e tão-só, mais um laivo de bairrismo exacerbado do populista presidente da Câmara do Porto. Com o seu eleitoralismo bacoco, Rui Moreira, necessitando desesperadamente de votos nas próximas autárquicas, incomoda tudo e todos com mais esta questão menor. Como foi e continua a ser menor a questão da TAP. Como era e ainda é a dos Fundos Comunitários. Bem sei que cada um dos Governos que tomam posse em Portugal elege a descentralização como desígnio da legislatura. Bem sei que o fazem com convicção. Só que, para além dos discursos, cada novo Executivo que toma posse torna-se, no dia seguinte, em mais um servidor da máquina centralista do Estado, rubricando leis, aprovando portarias e emitindo despachos que tornam o País cada vez mais desigual e cada vez mais vacinado.

Última semana de Feira
Aúltima semana da Feira do Livro começa hoje. Além do número recorde de visitantes que têm passado pela Avenida das Tílias, nos Jardins do Palácio de Cristal, merece um destaque especial a forma como os portuenses têm aderido ao magnífico programa cultural que acompanha a feira. As iniciativas têm enchido o auditório da Biblioteca Almeida Garrett e as exposições a decorrer na Galeria Municipal do Porto. Hoje, por exemplo, pode assistir, às 16 horas, a um prometedor debate com Maria de Lourdes Modesto, José Viale Moutinho e Francisco José Viegas, moderado por José Carlos Vasconcelos, sobre "O saber e o sabor do texto". Mas há cinema, spoken word, apresentações de livros, música e dança e, sobretudo, muitos livros na feira que termina dia 18 de setembro. A entrada é livre.

Teatro Carlos Alberto
Fiquei muito satisfeito com a forma como a cidade se envolveu na apresentação da temporada do Teatro Nacional de São João, que decorreu no Teatro Carlos Alberto, que também se apresentou com fachada renovada, através de uma intervenção artística promovida pela Câmara. A importância que os portuenses dão à cultura não pára de crescer e transmitiu-se à minha página de Facebook quando reproduzi o que se passou no Carlos Alberto. Esta transversalidade dos públicos e o entusiasmo com que a cidade abraça as suas instituições e iniciativas culturais não têm paralelo em muitas cidades do mundo e são um ativo social e económico que não se pode perder. Ainda bem que o São João o está a entender tão bem.
Rui Moreira opinião
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