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Rui Moreira

O coro inimputável

Não tendo sido vaiado por ser branco, foi insultado por ser francês ou, se quisermos, por não ser brasileiro.

Rui Moreira 21 de Agosto de 2016 às 01:45
O atleta Renaud Lavillenie foi vaiado nos Jogos Olímpicos do Rio por estar em competição direta com um brasileiro pela medalha de ouro no salto à vara. O francês, recordista do mundo, acabou por perder. Na ressaca, comparou-se a Jesse Owens, o velocista negro que terá sido ignorado por Hitler nos Jogos de 1936.

As declarações de Lavillenie, que é branco, levantaram um coro de críticas em todo o mundo e o francês foi de novo apupado ao subir ao pódio, em lágrimas, para receber a medalha de prata. Lavillenie não foi vaiado e insultado por ser negro, porque é branco. E, não tendo sido vaiado por ser branco, foi insultado por ser francês ou, se quisermos, por não ser brasileiro. A isso chama-se xenofobia

Estes acontecimentos remetem para uma reflexão sobre o limite da crítica e sobre o insulto no desporto. O Comité Olímpico e as federações têm lutado, e bem, para banir das modalidades comportamentos racistas. A interdição de estádios e a penalização de clubes e atletas, sempre que estão em causa atos racistas, tem sido a bitola, por exemplo, no futebol.

É por isso que não se compreende a quase indiferença de organizadores e clubes perante o insulto e humilhação que acontecem de forma organizada, e semanalmente, nos estádios de futebol em Portugal e noutros países europeus.

A cada jornada, ouvimos claques e estádios inteiros insultar adversários, com o pior vernáculo e as mais ofensivas das expressões. Os guarda-redes adversários, sempre que marcam um pontapé de baliza, são insultados de forma humilhante por um grupo de cidadãos respeitáveis à semana, que se transformam num coro de inimputáveis no estádio, entoando cânticos de ódio contra adeptos e atletas.

Entretanto, as federações e clubes, que muito bem zelam, com mão dura, para que o insulto racista seja banido dos estádios, olham estas expressões de ódio com uma complacente indiferença.

Ou bem que se zela pela erradicação de comportamentos racistas, e se aplica a mesma bitola contra a xenofobia e contra a ofensa gratuita, ou bem que se entende que no desporto, não valendo tudo, vale quase tudo. E, nessa altura, é o desporto quem está a afastar das suas indústrias uma parte da população, que se dá ao respeito e não se revê no insulto, seja ele racista, xenófobo ou, simplesmente, contra homens e mulheres que dão o seu melhor como atletas.

Trajes de papel na foz
É um dos desfiles mais originais no País e uma tradição única no Mundo. Realiza-se hoje o Cortejo do Traje de Papel, uma tradição portuense que tem mais de 150 anos e atrai público de muito longe.

Este ano o tema é as comemorações dos 800 anos da paróquia de São João da Foz do Douro. O desfile, que faz parte das Festas de São Bartolomeu, inicia-se na Cantareira, pelas 10 horas, e vai terminar na praia do Ourigo, pela hora do almoço, seguindo-se o habitual banho no mar nas águas da Foz.

Segundo a lenda, o ‘banho santo’ é uma forma de agradecer os ‘favores’ de São Bartolomeu e de evitar ‘maleitas’ durante todo o ano. As Festas de São Bartolomeu iniciaram-se em julho com a Festa do Livro e decorrem até à primeira semana de setembro.

Metro 24 horas no verão
De vez em quando recordo os portuenses que podem viajar de Metro durante as madrugadas de fim de semana nos meses de verão. A ideia foi lançada pela minha candidatura em 2013 e cumprida, graças ao entendimento entre Câmara do Porto e Metro do Porto, desde 2014.

Sempre que o assunto é abordado, há quem, legitimamente, comente no Facebook, pedindo Metro durante a madrugada todos os dias e todo o ano. Realmente era o ideal, mas não é possível. Não apenas o sistema tem que cumprir horas de manutenção, como os custos associados seriam incomportáveis. Não há Metro de madrugada em cidades como Lisboa, Paris ou Londres. Só oito cidades no Mundo possuem este serviço. Uma é o Porto.
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